Longe vão os tempos em que andávamos de caderno preto para apontar uma frase castiça ou uma gaffe de uma conversa entre amigos. Hoje, quando os amigos se juntam falam das redes sociais e tiram uma selfie.
Demorei muito tempo a perceber (e continuo sem entender muita patavina) da linguagem socialmente virtual.
Um Lol, um “dois pontos traço parênteses fechado“, um “rsrsrsrs…
Quésta merda, pá? Uma gaja ligada ao chat a ver se vem o sono e aparece um lorpa e diz “oi :—) és bonita rsrsrsrs” e a gaja (eu) pensa(o): “que é que este parolo está a dizer em código morse? Na volta quer chapinar. Ou está bêbado e adormeceu sobre as teclas r e s
Longe vão os tempos em que mandávamos uma mensagem assim “demoras muito? Sempre é para ir ao centro comercial? Também preciso muito saber que roupa é que visto. Beijinho
Agora, vais às redes sociais e identificas uma pessoa nessa posta e escreves “demoras mt? Smpre é p ir ao shopping? Tbm preciso mt saber k roupa é k visto. Bjs
Não sei onde vão parar expressões como “anda ter à rua atrás do cu à mão esquerda“. Agora toda a gente sabe que estás em tal lado assim assim, identificado por fulano, sicrano gostou e beltrano comenta a cena.

Agora vou, porque tenho muito que escrever, sem erros ortográficos virtuais e tenho de pôr a conversa em dia com a Terezinha. Num é que ela, já namora com o Chiquinho, vai fazer três domingos? O pai dele limpa chaminés sem sujar e o tio mais velho usa relógio de pulso na mão direita.
Deve ser esquerdino.

Comentários



Véronique S.

Tem os braços onde deveria ter as orelhas. Tem o coração onde deveria ter os olhos. Já as entranhas, costuma adormecer a mexer nelas. Qual criança que brinca com os cabelos até o sono à visitar.

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