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foto: Cláudio Valério – Irreversível

O Paredes de Coura começa muito antes do festival em si arrancar. Com o campismo a abrir oficialmente 5 dias antes, os campistas começam a chegar às margens do Rio Coura desde o início do mês.
Há, a certa altura, claramente mais tendas do que campistas (o que chegou a levantar algumas ondas este ano) que ficam pelas margens da Praia Fluvial do Taboão a marcar os melhores lugares. E com o festival a esgotar pela primeira vez (o marketing poderoso da Vodafone a dar resultado), bons lugares foram ainda mais requisitados este ano.
Novas áreas de campismo tiveram de ser abertos, pena que a organização não tenha acompanhado isto com a expansão dos centros de carregamentos de telemóveis, lava-louças, chuveiros e casas de banho que estiveram a abarrotar.

A vila de Paredes de Coura acompanha esta festa com o seu centro a encher exponencialmente à medida que o festival se aproxima, o que aconteceu este ano a 19 de Agosto. O “Festival sobe à Vila” arrancou com a música logo no dia 16 a cargo de The Wild Booze, Toulouse e Electric Shoes (DJ Set). O dia seguinte viu Can Cun, The Happy Mess e Carlos Matos (DJ Set) e, no último dia antes do festival, finalizou-se com Escola do Rock, Les Crazy Coconuts, o DJ Set de Zé Pedro (sim, dos Xutos) e, ainda, Branko.

Era então a altura do anfiteatro natural e verdejante (pelo menos no primeiro dia antes das sucessivas paisagens pelas “manadas” de festivaleiros sedentas de acordes) debitar música a partir do grande palco. A abertura ficou a cargo dos lisboetas Gala Drop, ainda bem de dia (19h) que, com o seu som progressivo e psicadélico, convenceram quem os conhecia e quem não; deixando uma excelente imagem da música nacional.
Uma hora depois, veio logo o primeiro nome internacional; com o post-punk dos californianos Ceremony que vieram apresentar o seu mais recente trabalho, The L-Shaped Man. Um longa-duração com uma sonoridade bem mais leve da que tem caracterizado este projecto, mas que, provavelmente, acabou por ser mais adequado ao público de Coura e ao seu palco principal. O espírito punk continua, contudo, mais do que entranhado nestes rapazes que também conseguiram cativar o crescente público. Seria curioso, contudo, vê-los neste registo que parece ser a sua verdadeira personalidade.

Seguiu-se o duo Blood Red Shoes, proveniente de Brighton (Reino Unido). Um duo que se funde perfeitamente com a guitarrista Laura-Mary Carter e o baterista Steven Ansell a serem ambos responsáveis pelos vocais que acompanham o (mais fundamental) frenético instrumental num rock para todos os gostos. Foi o regresso dos BRS a Paredes de Coura, após 6 anos, como Steven fez questão de frisar (a empatia com o público foi sempre uma constante). Desde aí, a banda passou de um a quatro álbuns de estúdio; mas o charme não foi perdido.

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foto: Cláudio Valério – Irreversível

Findadas todas as eventuais horas de jantar para o público, a moldura humana era já bastante significativa quando os acordes melancólicos dos naturais de Reading começaram a ecoar no Taboão. Fala-se claro de Slowdive, um dos projectos mais conceituados no que ao género do shoegaze diz respeito e que, depois do Primavera Sound do ano passado, voltou a passar em Portugal após a reunião que começou também em 2014 (pelo meio, um hiato de nove anos). Quer para quem ficou atrás (ou de lado) sentado, quer para quem não quis perder a energia em formato vaivém nas primeiras filas; é impossível ficar indiferente a estes ingleses. Um som envolvente e que parece incorporar todos os espectadores numa simbiose perfeita. Os Slowdive, como é seu apanágio, conseguiram dar um espectáculo que, pela sua música, consegue ir além desta; pintando uma moldura da concepção humana. Provavelmente, o concerto mais estético de todo o festival.

Estava então dado o mote para o cabeça de cartaz deste primeiro dia, os TV on The Radio que chegaram a Coura na ressaca do seu aclamado “Seeds”, editado no ano passado pela experiente Harvest Records (arrancou em 1969 com lançamentos de Deep Purple e Pink Floyd). A energia esteve sempre presente por parte da banda e também do público. Este último, até com algum descontrolo (verylights e moches a enfaixar quem se encontrava perto das grades), algo que motivou o reparo da banda.
Foi um concerto à Paredes de Coura de uma banda à Paredes de Coura. Rock vigoroso e cativante sem ser complexo em demasia.Uma maneira perfeita de fechar o palco principal neste primeiro dia… e dar espaço ao começo do palco secundário com o espanhol DJ Fra, que passou pelo Sonar, a fazer as festas até madrugada alta.

 

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Cláudio Valério

Coimbrinha mais novo que o fantasma do Kurt Cobain. Estuda ciência, mas vai passar a estudar letras. Fã nº1 do Lidl.

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