Este texto tem tanto de atrasado como a Revolução, aquela que irá destruir os poderes instituídos e tentaculares que garantem as riquezas a uns poucos, através da exploração maquiavélica e meticulosa, enquanto a maioria tenta sobreviver num lamaçal de podridão… já tarda e quanta mais tarda mais agoniamos.

Uma Revolução não se faz de um dia para o outro, faz-se dia-a-dia, todos os dias, até ao dia em que rebenta o motim, a rebelião que se vai transformar em Revolução. 
Comemoremos o 25 de Abril, sim é tempo de festejar, a morte de uma ditadura é motivo de festa, SEMPRE!!!
Lembro-me de ir com os meus pais para a Avenida dos Aliados celebrar Abril e haver tanta gente que mal se podia andar, as pessoas cantavam, sorriam, abraçavam-se e notava-se que no ar pairava esperança, hoje em dia isso só acontece quando há foguetório ou concertos… eu não tive percepção desse acontecimento, que foi a Revolução dos cravos e moldou todas as nossas vidas, apenas uns anos depois comecei a entender o que se tinha passado e como se tinha passado, mas apesar disso posso dizer que até hoje tenho uma mágoa profunda por aquilo que Abril nos poderia ter dado e não deu, devido à intervenção dos partidos na vida política dos portugueses, porque, permitam-me o cliché, há política para além do voto, existe muito mais do que isso, a livre associação de pessoas que brotou um pouco por todo o país durante o PREC, rapidamente foi abafada pelos partidos políticos, com medo de perderem protagonismo, ou seja, mataram a tal esperança de construir um futuro diferente do que aquele que reinava em outros países, uma outra democracia, algo que realmente fosse das pessoas, do Povo e não o drama horrorífico que temos assistido até agora.
Sim, mataram a possibilidade de um outro futuro, liquidaram o sonho, estrangularam a esperança, ao deixarmos que organizações cujo único objectivo é a tomada do poder, ao delegar nas mãos de uns pretensos iluminados o nosso destino, arruinamos o nosso futuro e o daqueles que cá ficarão.
Contínuo a acreditar que outro caminho pode e deve ser traçado, para nós e para os nossos, esqueçam é qualquer tipo de reformulação ou reforma do capitalismo e de discursos popularistas de salvadores da pátria, deixem de acreditar em quem afirma que é possível fazê-lo, apenas tentam ludibriar-nos com tais argumentos falaciosos, quem permitiu que as instituições financeiras tenham neste momento mais poder que os Estados, foi o poder político e é esse o único responsável.

Uma Revolução não se faz de um dia para o outro, faz-se dia-a-dia, todos os dias, até ao dia em que rebenta o motim, a rebelião que se vai transformar em Revolução.
Não agoniemos mais!!!
Tem SEMPRE um cravo na mão e planta outro no chão, das sementes que deitares à terra, alegra-te com as que brotarem e lamenta as que morrerem, serão as resistentes que alimentarão as mentes do futuro…

foto © Patrícia de Melo Moreira

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Miguel Pedro Carvalhais

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