Depois de no dia anterior já ter levado com a surpresa que foi este Rodellus (subscrevo inteiramente o que o Daniel Silva escreveu), regressei com as expectativas em alta para a segunda ronda de campo.

O meu dia de concertos começou com The Japanese Girl. Bom concerto de Psy-Garage-Rock para uma curta audiência, mas que aqueceu convenientemente o (meu) motor. Psicadélicos sem serem extravagantes, Garage sem soar a velho e Rock o suficiente para agradar a ouvidos menos disponíveis, os The Japanese Girl merecem um olhar mais atento. Talvez o final de uma tarde não seja o momento mais indicado para as viagens que a banda promove. Um final de noite ou uma cave com strobes irregulares seria mais apropriado.

The Japanese Girl| © Irreversível

Os Los Wilds abriram o palco principal e não pouparam esforços. Confesso que não percebi completamente como definir o som da banda madrilena, mas eles fazem uma positiva festa em palco. Um Punk-Garage-Latin-Pop-Rock que agradaria a muita gente por esses festivais de verão que acontecem por todo o país. Uma boa escolha para qualquer alinhamento que pretenda incentivar a boa-onda e descontracção.

Os The Sunflowers tem rodado muitos quilómetros pelos palcos nacionais e os diferentes públicos já conhecem a dupla. Se por um lado o efeito surpresa foi com o quinze, por outro é curioso verificar a malta festivaleira a acompanhar as letras. Dos palcos secundários para os palcos principais, uma natural evolução num belo caso de sucesso na cena indie nacional.

Los Wilds| © Irreversível

Fai Baba é um nome que mesmo já me tendo passado pela frente nunca dei grande atenção. Levava comigo bastante curiosidade. Bons músicos, boa música de inspiração Psy-Folk-Rock, escolha a roçar o perfeito para o espírito do festival, mas que ao segundo dia de campo já me obrigou a assistir sentado entre o milho e fui perdendo a atenção, isto pelo meio de conversas carregadas de temperamento campestre. O positivo cansaço e as distracções começavam a tomar conta de mim e não posso, por isso, tecer grandes considerações.

Pelo palco principal passaram ainda os italianos Go!Zilla. De onde me encontrava ouvia um Acid-Psy-Punk-Rock que o cérebro curtia mas o corpo não reagia. A falta de pedal era da minha responsabilidade, talvez o puro ar do campo e as férreas viagens de ida-e-volta até Ruílhe, circunstâncias que nitidamente não estou habituado, também tenham afectado alguma coisa as minhas percepções e reacções.

The Sun Flowers| © Irreversível

A fraqueza e o estafamento tomavam agora completamente conta de mim, ai Rodellus, mas não podia ir embora sem ouvir os Pé Roto no belo palco Eira. Stoner-Dirty-Doom-Rock cantado em português é uma aventura difícil. A nossa língua é rica, complexa e linda. Mas as audiências nacionais, mais ainda nestes estilos e formas underground, tem alguma dificuldade em aceitar facilmente a Portugalidade. Atenção, aqui o autor desta crónica até valoriza esta questão, que isto não soe a um parecer negativo que não o é. Tanto não é, que a Irreversível quer fazer mais qualquer coisa com estes Rotos…

O Rodellus é como aquela tasca que conheceste quase sem querer numa qualquer viagem Portugal adentro, em que te serviram comida caseira, preparada no momento com produtos do quintal, fresquinhos, com bom vinho tirado directamente da pipa e à qual queres regressar na próxima oportunidade. Os antípodas da atrapalhação, da pressa, do fast-qualquer-coisa. Tudo no Rodellus cheira a carinho e atenção. E isso, na nossa formatada e globalizante sociedade, começa já a ser raro.

Rodellus| © Irreversível

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Francisco Barros

- Realizador e locutor radiofónico nos 90´s com "Rockodromo" & Outros
- Proprietário da extinta "Crash-Discos".
- Vocalista em "Model".
- Passador de música e performer em "Robotic Sessions".
- Musico experimental & Ocasional
- Colaborador e Ex-colaborador em diversas publicações nacionais e locais.

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