foto: HotBlack @ morguefile.com

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Acordo várias vezes do mesmo sonho. De um som desenhado na minha casa de árvore com o meu serviço de chá esbeiçado e poeirento. O abandono urgente das horas num meteorito que escorre pelos dedos da mão fechada. O dedo do pé grande a segurar o ponteiro. O cérebro é um circo; há malabarismos de pensamentos ilusionistas. O lugar mais estranho a visitar. Não sei mais o que dizer das sentimentais personagens moldadas por uma adivinha tão fácil quanto previsível. Creio que há altos e baixos. Se não acreditas, passa por uma lomba. Limpo a janela com ajaxHá a paisagem mental. Ou será de bafo esse regresso à cauda primaveril, onde os pássaros cantam e deixam presentes no decorrer da porta do carro, a absorção da colecção estação, e a abelha maia já não pode dar a desculpa do frio ao calimero. Escrevo em latim, essa palavra que me fode, como quem fode à hora do almoço. Escrevo-a, como o Bart escreve quando está de castigo, escrevo-a como se de uma pérola se tratasse, como se suga uma ameijoa, ou como quem come cerejas. Esse sonho que é uma leitura de bolso, gesto gratuito às horas ininterruptas pelo silêncio que malha, malha, malha, mas que nunca emite um som de prazer. Talvez seja vegetariano, ou de definição por definir. Ficamos tão bem quando nos deixamos cair. São 11 da manhã e sinto-me tão bem. Sem palavras espertas.

Comentários



Véronique S.

Tem os braços onde deveria ter as orelhas. Tem o coração onde deveria ter os olhos. Já as entranhas, costuma adormecer a mexer nelas. Qual criança que brinca com os cabelos até o sono à visitar.

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