Nos sistemas sociais em que vivemos, que estão abarrotados de informação e privados de significação, os corpos obesos/anorécticos obscenos perderam os princípios de lei e/ou medida que um dia os suportaram. Suas significações e representações transmudaram-se em auto replicação da metástase (cancerígena). A história para nós, pelos meios de comunicação e nos meios de comunicação, tornou-se uma sucessão de devoramentos que, junto com as ideologias e a política, alcançaram o mais alto nível de saturação, sem qualquer noção de limites. A metástase dita o compasso de tudo, nada se lhe compara, nada a transcende e como toda a condição tem sua própria configuração sintomática, a hiperrealidade obscena encontra sua “perfeita confirmação e verdade estática” no corpo obeso/erótico que ao invés de ser reflectido, captura a si mesmo em seu próprio espelho amplificador.
 A Europa sempre foi o palco ideal para a morte do sujeito e da história; já a alegoria da morte da vida em si, não possui melhor palco que os EUA: casa de assassinos em série (por experiência e excelência) – Fast Food + Safe Sex + Engenharia Genética = Politicamente Correcto. A fascinante obesidade dos estadunidenses (que os europeus estão empenhados em copiar!), essa monstruosa conformidade aos espaços vazios, essa deformidade por excesso de conformidade, que traduz a hiperdimensão de uma sociedade tão saturada quanto vazia, onde o real social assim como o do corpo são deixados para trás. Estes corpos obesos/obscenos como microcosmos do mundo, não são templos, não são máquinas nem organismos holísticos. Corpos sem ordem, cujas células irromperam em metástases cancerosas que são paralelas ao fluxo inútil de informação do mundo contemporâneo. O corpo absorve, avidamente, a inutilidade de todos os sistemas políticos, religiosos e ideológicos, os MacCristos, MacTrumps, MacAllahs, Big Macs…

Entre a obesidade (saciedade) e a anorexia (inércia), seguem as vítimas sociais dos incidentes das relações internacionais, que se podem reverter pela alteração de uma parte do corpo – cortes ao estômago para digerir cada vez menos, por exemplo – ou uma adaptação ao estresse dos factores circundantes – ginásios, cartões de crédito, moedas únicas, por exemplo – todos estes, sem serem nem terem soluções, são muito mais uma obesidade da permanente crise e da indigestão da informação – economia global, terrorismo, ameaça nuclear e CNN – por exemplo.

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PAR

Sou muitos por cento H2O o que quer dizer que fervo a 100 e congelo a zero... tenho muito para dizer mas só digo quando quero.

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