Sandy Kilpatrick lançou recentemente”Confessions from The South“, o primeiro de um conjunto de quatro álbuns de homenagem a diferentes países que, de alguma forma, marcaram a sua vida. O primeiro é sobre Portugal, os restantes passam por países como a Irlanda, Escócia e Noruega.
O disco conta com 10 músicas escritas e compostas por Sandy Kilpatrick, são dez temas que percorrem regiões e cidades desde o Algarve ao Gerês, passando também pelas ilhas. Uma homenagem a Portugal e que contém a portugalidade já inerente à personalidade do artista escocês que se mudou para Vila Nova de Famalicão há mais de 15 anos…

@ Sagres – foto por Diogo Machado

O disco “Confessions From The South” é aquilo que esperavas?
– Escrever é um processo muito orgânico para mim, é um processo de encontrar as palavras que melhor expressam aquilo que quero dizer, ou no caso da escrita de música, é tentar descobrir o que as canções querem transmitir. O que procuro é a beleza, uma sensação de maravilha, e, se tiver sorte, de tocar naqueles que são os verdadeiros significados de se ser humano nestes tempos mais turbulentos.

Embora eu deva dizer que realmente não entendo o sucesso do ‘Pimba’, parece-me como algo que amortece a alma. É como se fosse o outro lado do espelho do Fado
O que influência a tua música?
– Quando eu estou a escrever, ou a sonhar sobre escrever, eu tento ver-me como as comportas que se abrem e deixam a água passar, como uma barragem a ser esvaziada. Trata-se de um processo muito livre, que evita qualquer auto-censura, que permite a entrada de qualquer informação – o sexo, a política, o mundo em geral, a turbulência e a felicidade da vida romântica, a inspiração da natureza e claro, o amor. E muitas outras coisas. Leonard Cohen disse uma vez que as canções devem ser “a evidência de uma vida que está a ser vivida“. Eu gosto de pensar assim.

O que acaba por ser mais importante no teu processo de composição? A sala de ensaios, os palcos, ou nada disso?
– Eu gosto de escrever em silêncio, na paz da minha casa. Eu posso gerar ideias enquanto estou a viajar – Neil Young escreve sempre em movimento, mesmo quando ele está a andar. Mas eu não sou assim em geral. Eu tenho milhões de notas que eu aponto em pedaços de papel, cadernos, até mesmo no meu telemóvel, mas a composição e juntar tudo é geralmente um processo solitário feito em casa. Geralmente depois fica um pouco mais emocionante quando eu chego à sala de ensaios com a banda!

@ Teatro Diogo Bernardes – foto por Diogo Machado

O que te torna tão próximo de Portugal e porque decidiste homenagear o país?
– Casei-me com uma mulher portuguesa e temos aqui os nossos filhos. Fico curioso com a ideia de “casa”, tenho muitos lugares a que eu chamo de casa – Londres, Manchester, Lancaster, Birmingham, East Kilbride, Braga, Famalicão. Assim, a ideia de casa e o desejo de explorar a magia e a beleza da natureza são outros factores que me inspiraram a prestar homenagem à beleza do lugar que actualmente chamo de lar – Portugal.

Vivendo em Portugal há vários anos, como analisas a ligação dos portugueses com a música?
– A cena musical em Portugal é mais saudável do que nunca. Há uma grande variedade de bandas e artistas brilhantes, desde Linda Martini e Noiserv, até The Legendary Tigerman e Gisela João, que cobrem tanto terreno.
Embora eu deva dizer que realmente não entendo o sucesso do ‘Pimba’, parece-me como algo que amortece a alma. É como se fosse o outro lado do espelho do Fado, esse estilo que explora a alma com tanta profundidade nostalgia e paixão. Ou até artistas como Zeca Afonso, que tanto se distanciam deste ‘Pimba’ com suas canções geniais de empatia, motivação e inspiração.
A música está no centro de tudo – na verdade poderia dizer que a música é mais importante para a vida humana do que a economia – e no entanto, na minha opinião, o nosso discurso diário tornou-se demasiado obcecado com a política e a economia. Cantamos canções para louvar a ideia de Deus, celebrar aniversários, a chegada do Ano Novo, canções a lamentar a morte, baladas de assassinato e caos, canções para acalmar os bebés, para dormir, polifonia coral para acalmar a alma… A música é algo tão belo.

O que é Irreversível?
– Eu gosto de acreditar que nada é irreversível – excepto claro o vosso brilhante site.

foto de capa: Sandy Kilpatrick and The Origins Band  – Soundcheck @ Teatro Diogo Bernardes – por Diogo Machado

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Francisco Barros

- Realizador e locutor radiofónico nos 90´s com "Rockodromo" & Outros
- Proprietário da extinta "Crash-Discos".
- Vocalista em "Model".
- Passador de música e performer em "Robotic Sessions".
- Musico experimental & Ocasional
- Colaborador e Ex-colaborador em diversas publicações nacionais e locais.

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