Houve uma vez 
Um deus.  
Podia fazer 
Tempestades grandes 
E jogar mundos 
Para o esquecimento.  
Seu desejo era realidade.  
O fogo das profundidades 
E o centro dos furacões
Eram seus como são 
Os cometas no céu. 

foto: @ morguefile.com

foto: @ morguefile.com

Deixou um dia 
Recair sua ira 
Sobre os homens 
E os lugares 
Onde tivessem estado.  


Foram tantos danos 
Que somente um pássaro 
E dois caracóis ficaram.  


O pássaro tinha consciência 
Que não era um deus 
E os caracóis não gracejariam 
Sobre algo assim absurdo.  


O pássaro, um dia, cagou 
No ombro do deus.  
Que era divino demais 
Para perceber.  


Era um deus.  
Ainda que tivesse 
Merda sobre ele, 
Embora sentisse,
Ao longe, um cheiro
Exterior à sua divindade.


Como deus que se preza
Sempre gostara  
De lugares públicos 
E odores estranhos 
Dos corpos alheios
Em missas dominicanas…
Em claustros solitários…
Em assembleias da república… 
Em reuniões catedráticas.

Comentários



PAR

Sou muitos por cento H2O o que quer dizer que fervo a 100 e congelo a zero... tenho muito para dizer mas só digo quando quero.

Publicação Anterior

Sonho de uma manhã primaveril

Proxima Publicação

Cinquenta e Um!!!