No palco um homem, um piano, uma viola. Nada mais. Um Theatro Circo esgotado, assombrado num silencio que apenas se quebrava no fim de cada uma das interpretações de Rufus Wainwright.

Rufus Wainwright @ Theatro Circo © Paulo Nogueira

Rufus está nos antípodas do Auto-Tune.
Estava ali de mente aberta, não sou propriamente um fã do trabalho de Rufus Wainwright, posso escrever desde já que após o concerto, no recato do meu sistema de som privado, estive novamente a ouvir trabalhos do Norte-Americano, isto porque o meu deslumbramento durante o concerto foi total e queria perceber o que é que me tinha escapado até aqui para não perceber a tremenda qualidade.
A realidade é que continuo sem ficar agarrado à sua música (gravada), mas fiquei completamente enclausurado pela sua prestação no Theatro Circo.
Rufus Wainwright entrou directamente para os lugares cimeiros dos melhores vocalistas que alguma vez assisti. Está num patamar reservado para poucos. Atrevo-me a escrever que é um dom, um dom que evidentemente foi trabalhado e desenvolvido, o que apenas valoriza mais Rufus Wainwright numa sociedade de aparências e imediatismos, numa sociedade onde se criam “famosos” a cada novo programa televisivo. Rufus está nos antípodas do Auto-Tune.
A este nível não são necessários esquemas de luzes e lasers ou complicadas produções visuais para distrair os sentidos, bastou um palco, um piano, outras vezes uma viola, somado à pureza e grandiosidade de uma voz, para que uma sala, esgotada, ficasse de joelhos.
Fechou em grande este primeiro RESPIRA! – O piano como pulmãoParabéns ao Theatro Circo pela audácia de promover iniciativas que promovem uma cultura cada vez mais distante.

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Francisco Barros

- Realizador e locutor radiofónico nos 90´s com "Rockodromo" & Outros
- Proprietário da extinta "Crash-Discos".
- Vocalista em "Model".
- Passador de música e performer em "Robotic Sessions".
- Musico experimental & Ocasional
- Colaborador e Ex-colaborador em diversas publicações nacionais e locais.

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