Em 2016 o Reverence Festival volta a realizar-se em Setembro, nos dias 8, 9 e 10 – Parque de Merendas de Valada – Cartaxo.

No cartaz destaque para os The DamnedKilling JokeWith the DeadThee Oh Sees e Dead Meadow, numa aposta que continua a privilegiar os géneros heavy psych, space rock e shoegaze, assim como uma selecção de alguns projectos emergentes da cena nacional, como Mécanosphère e The Sunflowers que têm merecido atenção Irreversível.
12805842_992127930833597_231509084615328892_nNa 3ª edição do Reverence Festival Valada estão previstas pequenas mudanças conceptuais, incluindo actuações mais longas e menos sobreposições entre bandas, potenciando a experiência de todos os festivaleiros que se deslocam às margens do Rio Tejo para três dias repletos de música.


Aproveitamos a ocasião para lançar a conversa da Irreversível com  Niege -guitarra/voz- e Winterhalter -bateria- da banda francesa Alcest na edição de 2015:

Alcest @ Reverence Valada 2015 pic by Irreversível

Alcest @ Reverence Valada 2015 pic by Irreversível

Vocês tem actuado muito em Portugal ultimamente. Como se sentem em regressar, agora ao Reverence, e quais são as vossas primeiras impressões do festival?
Niege – Primeiro que tudo, estamos muito contentes por regressar. É muito mais verde do que seria de esperar de um país do sul. Mas talvez a parte mais a sul seja a árida

– Um pouco, sim. Vocês tem um novo álbum, lançado no ano passado (2014), Shelter. Como todos os vossos discos, é uma sonoridade diferente de trabalhos anteriores. O que move esta mudança de contexto, se é que se pode chamar desta maneira?
Niege – Acho que era um tempo em que queríamos mesmo desviar-nos da sonoridade metal, percebes? Não sei, senti que precisava de mudar. Temos sido metal o suficiente. Apenas segui o meu instinto, como faço sempre, por isso, sai sempre um álbum diferente. Portanto, as pessoas dizem sempre “Oh, não é a mesma banda”; mas, passado algum tempo, começam a habituar-se e a gostar, acho.

– Portanto, não temem perder alguns fãs de velha guarda e, acima de tudo, fazem música para vocês?

Niege –  Bem, acho que devemos ter perdido alguns fãs com o “Shelter”; mas também teremos ganho alguns novos. E talvez os antigos voltem, acredito.

– Uma mudança permanente, sem dúvida. Vocês têm trabalhado com a Prophecy Productions já por algum tempo. Qual é a relação com esta editora alemã?

Niege – Sabes, são editoras… Tens coisas positivas e outras que são mais complicadas.

– Muitas bandas mudam regularmente de editora, mas vocês têm-se mantido na vossa.

Niege – Bem, eu assinei um contrato muito longo… por isso, tivemos de nos sujeitar (risos). Não, é uma pequena editora, mas têm sido sempre um excelente apoio.

– Nesse contrato, têm alguma regularidade a cumprir na saída de álbuns ou liberdade para fazer quando se sentem dispostos a tal?
Niege –  Não. Não. É sempre quando estamos afim. Eles não nos pressionam de todo… confiam em nós. É uma boa relação de confiança para ambos os lados.

– Depois destes concertos europeus de fim de Verão, têm uma tour norte-americana. Como estão as vossas energias? Completamente carregadas? Ansiosos por isso?

Niege – Sim. Quando parámos na Alemanha, estivemos num excelente hotel e relaxámos bastante. Alemanha é sempre muito relaxado… e profissional.
Winterhalter – Habituas-te a todo este ritmo com o tempo.
Niege – E também bebemos muito (todos riem) Se bem que já não temos 18 anos, por isso, não pode ser todos os dias… e também não seria profissional. Não é bom para o teu corpo… por isso tentamos limitar

Alcest @ Reverence 2015 - pic @ joan of july

Alcest @ Reverence 2015 – pic @ joan of july

-É preciso fazer um bom balanço.
Niege – Sim. Sim. Absolutamente.

– Depois dessa tour, planeiam descansar ou o trabalho irá continuar?

Niege – Claro. Eu nunca tiro férias. É muito difícil.
Winterhalter – Talvez agora, no fim do Verão. Talvez em Portugal (risos)

– E mais no futuro, têm planos como banda ou irão com a corrente?
Niege -Sim, sim; estamos já a trabalhar no próximo álbum…

– Quando irá sair?

Winterhalter – Contem com o próximo ano (2016)
Niege – Sim, no final do ano.

– Agora, a pergunta clássica. O que podemos esperar para o concerto de hoje?
Niege – … iremos tocar um pouco de coisas antigas.
Winterhalter – Um pouquinho de tudo, sim.
Niege – Sim, sim.

Alcest @ Reverence 2015 - pic @ joan of july

Alcest @ Reverence 2015 – pic @ joan of july

– Se pudessem escolher, tocariam mais tempo que o estipulado?
Niege – Por mim, se pudesse escolher, tocaria uma hora.
Winterhalter – Uma hora é perfeita
Niege –  Sim. 40 minutos é pouco. Mais de uma hora também é demais.

– Estão também entusiasmados em ver outras bandas no festival?
Niege – Sim, Sim. Já vimos os Grave Pleasures. E sei que há mais uma banda francesa a tocar hoje… Dead Mantra.

– Como está a actual cena francesa de metal e shoegaze? De saúde?
Niege – Ah… Sim. Temos um underground muito forte… as bandas francesas têm uma vertente muito noise. Coisas muito pesadas. Não é o que prefiro. Mas os franceses são muito punk e acho que preferem assim.
Winterhalter – Mas há mesmo muitas bandas.

– Algo mais que queiram dizer à audiência portuguesa?

Niege – Que estamos muitos felizes por estar aqui.
Winterhalter – Sim, sempre um prazer.

– Bem, Última pergunta. Sou da Irrerversível Magazine. Para vocês o que é irreversível?

Winterhalter – Ah, pergunta interessante… (…)
Niege – Ah… não sei. A música. A criação no geral.

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Cláudio Valério

Coimbrinha mais novo que o fantasma do Kurt Cobain. Estuda ciência, mas vai passar a estudar letras. Fã nº1 do Lidl.

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