A televisão fala baixinho, quase muda e sozinha. Entrega imagens disformes porque a enxergo de esguelha, e apesar do esforço não propositado, hoje ainda não me captou a atenção…
A nossa relação já foi mais próxima. Há momentos em que até me estimula a nostalgia mas há muito que são raros e fugazes.
Já não sinto a mesma emoção de outrora. Com o tempo desvaneceu-se o interesse contudo ainda lhe dou o benefício da dúvida e, quando me apetece, ofereço-lhe um pouco de mim.
Mas hoje não me apetece.
Ignoro-a.
Sei que não se ofende, porque as televisões, mesmo as de vanguarda, são isentas de sentimentos.
Ressuscitei-a do stand by apenas e só pela companhia abstracta que representa e p’ra lhe dar utilidade.
A companhia abstracta é muito útil, mais até que a realista, porque como não exige nem obriga à atenção, autoriza a reflexão.
A reflexão autorizada é essencial para uma vida sã, e o seu défice pode causar enfermidades severas.
O indivíduo não reflexivo arrisca a insanidade. Aconselho:
Ressuscita a tua TV, ignora-a fazendo uso da sua presença e com autorização, reflecte.
Reflecte, e faz-te são.

foto de capa: Banksy street art

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Simão Mendes

Terráqueo abstracto que todos os dias procura descobrir-se e a quem o riso é indispensável. Vive despreocupadamente. Viciado em pizza, aprecia o café a 3/4 e sonha ir ao espaço.

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