Todos sabemos que o facebook é uma realidade alternativa. Mas também sabemos que é um espelho (com algumas distorções) da realidade. Mesmo de quem não possui e/ou não usa a rede social.
Posto isto, tendo em consideração as tais distorções, apetece-me fazer uma lista:
Não uso relógio.
Alguma da minha roupa é usada.
Deve estar na altura de deixar de usar barba.
Passo 50% da música num laptop e (pasme-se) é tudo originais.
A maior parte do que faço no dia-a-dia não é colocado no facebook.
Deve estar na altura de ponderar o scroll down.
Fui buscar o meu cão a um canil e não tem qualquer raça específica.
Aqui em casa somos uma família feliz mesmo não tendo fotos.
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O facebook & outros são uma ferramenta de comunicação fundamental.

Há uns anos Chuck Palahniuk (Fight Club,1999) escrevia: “You are not your job, you’re not how much money you have in the bank. You are not the car you drive. You’re not the contents of your wallet. You are not your fucking khakis!”, parece que Palahniuk está a escrever uma sequela, certamente tendo em conta a actualidade, e se a tal sequela se debruçar sobre a actual realidade, ele irá escrever: “You are not your facebook acount”.

foto: Hotblack @ morguefile.com

foto: Hotblack @ morguefile.com

Não que isto seja novo, não que Chuck Palahniuk e David Fincher tenham descoberto o azimute (confesso que a mim me ajudaram a assumir um conceito de vida), mas o que faltará às pessoas para perceber que não são as coisas que os definem, nem sequer as palavras, mas sim as atitudes de um dia-a-dia que passa tão, mas tão rápido?
Bob Marley, esse charrado, dizia: “São as atitudes e não as circunstâncias que determinam o valor de cada um. O que tu dizes, com todo respeito, é apenas o que tu dizes.” (sim, obviamente o mesmo se aplica (em espelho) a mim).

Com 37 anos estou (mais coisa menos coisa) a metade da minha esperança de vida.
Cada vez mais convicto de que tenho perdido tanto, que durante tanto tempo valorizei o que não vale merda nenhuma.
Ainda assim, cada vez menos.

William Blake escrevia, muito antes de Chuck Palahniuk e de Bob Marley:
“To see a World in a Grain of Sand
And a Heaven in a Wild Flower,
Hold Infinity in the palm of your hand
And Eternity in an hour.”

A minha eternidade também se faz com as redes sociais, eis-me aqui a escrever de um só jorro numa delas. Apenas não sou a minha conta do facebook, nem o meu nº de contribuinte, nem o sofá no t3, nem a minha colecção de carrinhos miniatura clássicos que tanto estimo e vocês não conhecem, nem sequer a música que faço, a que possuo e a que passo.

… quer dizer… a música é um bocadinho.

Jack Kerouac dizia, “Great things are not accomplished by those who yield to trends and fads and popular opinion.”; e eu subscrevo… e inspirado, quase plágio, no “InominávelSamuel Beckett pergunto:
“Estou a pensar se as pessoas passam por mim em linha recta e as vejo apenas quando estão no meu angulo de visão, quando se movimentam de A para B e vice-versa; ou se, de outra forma, se movimentam de forma elíptica em meu redor sendo que dependendo do meu ângulo de visão posso, porventura, vê-las independentemente do seu posicionamento?!”

PS: e sim, “o meu mundo num grão de areia”.

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Francisco Barros

- Realizador e locutor radiofónico nos 90´s com "Rockodromo" & Outros
- Proprietário da extinta "Crash-Discos".
- Vocalista em "Model".
- Passador de música e performer em "Robotic Sessions".
- Musico experimental & Ocasional
- Colaborador e Ex-colaborador em diversas publicações nacionais e locais.

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