Num ano um disco que vendeu o equivalente ao 3º lugar do top Portugal, tocaram na Sala Tejo do Meo Arena, apareceram na Playboy, a petição Mariana Mortágua chegou a todos os canais de tv e até ao The Guardian, mais de 40 datas lotadas, 4 singles e mais de 1 000 000 de visualizações no youtube… mesmo assim… humildes!
Os Quinteto Explosivo, para quem não os conhece – vivemos tempos de uma neo-hipócrito-censura – não deixam ninguém indiferente. São um cocktail ácido e picante que deve ser bebido em formato de large-shot, não aconselhável a estômagos ou intestinos mais sensíveis.
Formados com elementos de bandas como Comme Restus, Kalashnikov, Homens da Luta e Noidz, os Quinteto Explosivo produzem Progressive Punk em português. Para mais informações leiam a entrevista, sigam os links ou google it.13073146_10153765589257690_292269044_o

– Desde que renasceram de outras cinzas, e já desde algum tempo a meio de ribaltas, têm alguma coisa a dizer sobre o que tem vindo a mudar no nosso governo e respectivas“politiquices”?
– Pensamos que o paradigma político-eleitoral mudou para um novo campo em que o substrato legitimário sofre uma transformação nuclear radicando agora no somatório de votos em vez de residir, como antes, na formação política mais votada. Opera-se assim uma transferência da vontade política expressa pelo voto no paradigma representativo para um paradigma aritmético que se sobrepõe às diferenças ideológicas concretas mas que, não obstante, reforça um radical ideológico que, ao invés de se basear num mínimo denominador comum, exponencia um plus político identitário com características relacionais de tipo multilateral e biunívoco. Pela nossa parte continuamos a comer cereais ao pequeno-almoço com cerveja artesanal e pedacinhos de torresmos.

– Como banda, a amplitude musicológica que vocês repercutem neste conjunto sistémico de rótulos indiscriminados mas necessários á compreensão humana, de que modo é que vocês se adjectivam e, de certa forma, se coadunam?
– Nós adjectivamo-nos sempre em português e de um modo original porque em vez de dizermos que somos bués e fixes e bons, dizemos que somos do caralho. Recorremos a um verbo e a um substantivo o que é uma forma gira de adjectivação. E é assim porque é sempre o caralho de que as nossas fãs se lembram nos concertos e é o caralho que alguns sectores desviantes da sociedade portuguesa desejam da nossa parte mas que nós não damos porque já vimos filmes de prisões turcas. Normalmente também nos coadunamos na maior, bastando para isso deixar um lenço vermelho à porta o que significa que estamos ocupados. Se o lenço for amarelo, significa que aceitamos outros gajos desde que os corpos deles não toquem nos nossos. Se for rosa, significa que o quarto ainda dá para mais gajas. Se for verde, isso já é uma festa esquisita do Trumps e portanto não estamos lá.13073133_10153765383917690_172981761_o

– Como políticos incivis e sem tabus, comentem a vossa visão proliferada sobre o público em geral e, em particular os vossos fãs?
– Descobrimos que os nossos fãs são pessoas refinadas e de bom gosto, que gostam de discutir literatura à mesa com um laivo kinky a relembrar os filmes pornográficos suecos dos anos setenta que celebravam, ainda que de modo inocente, um certo ennui derivado da plenitude material proporcionada pelo Estado social. Ora isso é estúpido porque gostamos mais de holandesas na praia e que falam inglês com sotaque de Viseu. Para nós isso tem um efeito catártico porque é o modo que temos de eliminar das nossas mentes gajas do interior norte do país com bigode. Adoramos Viseu.

– Shaved or Not?
– Em primeiro lugar queremos apenas aduzir uma pequena correcção. Deverá dizer-se “shaven” e não “shaved” uma vez que nos estamos a referir um estado ou condição. Assim deverá escrever-se “I’m a hot girl who loves action in bed, with a shaven pussy which will rock your socks off.” Quanto à pergunta, ela deveria então ser “Shaven or not shaven.” Respondendo à questão, os QE sempre pautaram a sua actuação na sociedade por uma postura inclusiva e democrática, plural e respeitadora das diferenças. Por isso somos a favor de todas as aparadas e depiladas desde que macias e lavadas. E pronto, nalguns momentos mais kinky até achamos piada a um cheirinho de pneu queimado em derrapagem, mas sem exageros porque somos pessoas finas e requintadas, caralho.13090747_10153765620577690_808136081_o

– Crêem-se uma banda irreversivelmente importante ou andam apenas a curtir a cena musical para poderem ter sucesso em alguma coisa mais rentável?
– Nós somos uma banda seminal porque somos um Peter North da cena musical e deixamos a nossa marca em todo o lado o que consubstancia um tecido comunicacional do século XXI onde muita gente vai beber sofregamente às poças de criatividade por nós deixadas (os invejosos chamam nódoas às nossas poças). O ciclo refractário variará consoante a idade e o cansaço acumulado. Quanto à rentabilidade, continuamos a apostar em fundos mistos tendencialmente agressivos mas com uma forte componente conservadora de modo a enfrentar oscilações bolsistas bruscas, caso contrário não vamos conseguir sacar nenhuma daquelas gestoras de conta novinhas em início de carreira, prontas a experimentarem a sua recém-adquirida independência de mulheres urbanas e livres.

– … E o Festival da Eurovisão?
– O Festival da Eurovisão é a maior vergonha da Europa a seguir ao governo polaco e à União Europeia e por isso nós adoraríamos lá ir não só para envergonhar a Europa, e talvez Portugal, mas também para comer aquelas russas e balcânicas loucas por sexo que costumam aparecer. Para nós seria como que uma viagem de finalistas a Lloret de Mar, mas sem acne a rebentar-nos em frente dos olhos ou peles oleosas de rabos alimentados a McFlurry Oreo a deixar marcas sebosas em cadeiras de restaurante. Além disso, teríamos tudo pago e ninguém se importaria se perdêssemos pelo que podíamos mandar toda a gente para o caralho e ainda achariam que estávamos a cantar uma cena “lacrimoso-piegas”. Um de nós já foi com os Homens da Luta e não se lembra de nada a não ser de mamas de alemãs da Baviera mas que, infelizmente, não vinham com espaço para as cervejas. Ainda assim ele recomenda. Uma alemã com uma Sagres ao lado é de estalo.13091796_10153765632307690_624858721_oO nome do vosso disco é “Hinos Politicamente Incorrectos”, e se vos fosse proposto criar um novo hino português?
– Nós somos patriotas e claro que faríamos um hino à maneira sem tantos agudos para evitar aquela tortura melódica que é ouvir os portugueses a cantar. Outra preocupação nossa seria fazer uma letra que o Cristiano Ronaldo conseguisse escrever em SMS para não se esquecer e ainda parecesse articulado. Já as irmãs dele são um caso mais complicado e nós não temos formação na área do ensino especial. Além disso, o nosso hino teria uma versão séria e outra javarda só para ser cantada em noites de bezanas e festas de swing em vivendas manhosas do Algarve com bifas. Em ambos os casos seria uma canção patriótica a pedir a transformação do Dias Loureiro e do José Sócrates em ração para gado e a incentivar à belíssima arte de bate-chapas com recurso à bofetada em pessoas que tenham sofrido AVCs. O João Soares que é uma das nossas grandes referências culturais, seria o nosso produtor musical. Já temos tudo pensado.

– Uma vez que falam sempre tão abertamente, explanem aqui a vossa percepção explosiva sobre as bandas que têm estado, ou não, convosco?
– As que estão connosco são pessoas que vão tocar cenas e coiso. As que não estão, não falamos com elas porque não temos os números de telemóvel de toda a gente. Além disso, enquanto estamos a tocar não telefonamos a ninguém (com algumas excepções para o Trump só para gozar com o cabelo dele) até porque seria má educação. É que as pessoas pagaram para estar ali ou foram coagidas sob pena de lhes eliminarem as respectivas famílias. Sendo assim, a nossa percepção é que algumas pessoas estão connosco em certos momentos e noutros não, o que cola fundo nos nossos corações de crianças deslumbradas com um mundo que tem tanto de fascinante como de ameaçador.novoqe

– O que é que ainda há de errado com esta gente?
– É darem comida aos pombos porque se for para um gajo andar de metro ripam logo uns €3 mas um pombo tem direito a tudo: comida de borla, dormir em cima de carros ou cagar em telhados. É este sistema iníquo e desumano que está errado e que faz dos pombos um grupo minoritário que domina isto tudo. E é assim que países como a Síria mergulham na guerra civil ou se levam a sério as capacidades de representação da Rita Pereira. E também é por isto que a malta se suicida no Alentejo.

– Usem esta pergunta para dizerem simplesmente o que quiserem, sem qualquer tipo de preconceito ou qualquer outro juízo de valor…
– Nós queríamos dizer que é importante o ambiente por causa da natureza mas que os golfinhos são peixes irritantes aos quais deviam ser cortadas as cordas vocais para fazer arcos de violinos. Também somos a favor da vídeo-vigilância porque isso poupa muita bateria do telemóvel quando nos estamos a filmar com as nossas amigas catequistas (mas só aquelas giras que estudam gestão na Católica) no processo de picar paredes alcatifadas ou mármores encerados.13101320_10153765649777690_903864953_n

– … Por falar em peixe…  Sushi ou Punheta de Bacalhau?
– Sushi porque hoje em dia há muitos buffets de sushi o que permite levar as gajas a alambazarem-se que nem umas loucas por quantias razoáveis e sem complexos de parecerem gordas e /ou simplórias. O bacalhau, com punheta ou não, fica lá mais para a noite depois do sushi que é para fazer a digestão. Seja como for, nós somos pelo peixe em geral e defendemos também a saúde dos bivalves porque somos pela biodiversidade. Um bivalve diferente todos os dias sabe sempre a fresquinho mesmo que já tenha sido comido antes. Os QE estão sempre na vanguarda do bem-estar dos seus cidadãos. Não somos só caras bonitas com jeito para a música. Também temos vocação para a cidadania e para fazer sandes de ruibarbo.

– Existem datas marcadas? Que planos têm para os próximos tempos?
– Portugal está a ficar um bocado pequeno para nós… Temos que dar oportunidade a toda a gente, tem que haver espaço para todos, queremos ser vistos como mecenas da cultura e arte em geral. Temos datas com Moonspell e Bizarra Locomotiva no Laurus Nobilis Music (ainda com Aurea, Carminho, entre outros) em Famalicão e vamos tocar também com Ratos de Porão em Corroios. Somos o David Bowie da música portuguesa, tanto tocamos com Ratos de Porão como com a Carminho.13115618_191247651268173_889495369_n

– O que é  Irreversível?
– Vimos o filme mas não conhecemos a gaja. Se for parecida com a Mónica Belluci, vamos lá com todo o gosto mas tem de ser com marcação prévia porque temos de aprovisionar a secção de frios de modo a que os nossos clientes possam adquirir o peixe fresco com o sabor tão marcadamente português que persiste na memória de incontáveis gerações.

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Maria Cardoso

Maria Cardoso M. - nascida há mais de 3 decadas, dedicou-se à produção e programação de eventos dos mais variados estilos e ligou-se à música desde pequena. Sem manias de grandezas (what so ever), é licenciada em Gestão de Património e tem pós-graduação em Gestão Artística e Cultural. Sonha com um mundo minimamente em condições e que os que andam por aí a lutar de forma séria e justa, tenham o reconhecimento merecido. No que respeita à música, tem horizontes bem alargados, mas meticulosamente picuinhas...é a vida.

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