Nas mais diversas situações, com os amigos, com conhecidos, ou com anónimos, vem muitas vezes à baila o tema do glamour de ser disco jockey… As gajas (ou gajos), o álcool, as drogas, as after-partys, as selfies (puta que pariu lá as selfies)… A malta acha que cada vez que o disco jockey actua é um frenesim de sexo, drogas e rock´n roll.
Partem logo do princípio erróneo que o disco jockey passa ali a noite apenas a divertir-se, que aquela função é qualquer coisa menos trabalho – se calhar é por isso que acham que se deve pagar pouco, afinal tá ali a curtir – que trabalho é apenas alguma coisa que te faça sentir aborrecido ou que seja algo de teor físico, seja sentado em frente a papelada, a produzir numa maquina, fazer 500 km ao volante, ou a fazer 117 chamadas a vender pacotes de tv… certa vez alguém me disse: “faz dos teus prazeres o teu trabalho e serás mais feliz, só por isso, do que a maior parte das pessoas”.
A grande maioria, largamente, das vezes que um disco-jokey actua esta ali a trabalhar, nem vale a pena entrar em pormenorizações, apenas deixar uma ideia básica, de x em x minutos entra uma música diferente e tudo o que isso implica quando estás a fazer um trabalho minimamente bem feito… claro que se te estiveres a cagar para a qualidade do que estás a fazer é bota disco e siga… e o que não falta é disto… mas isso fica para outra vez.
Amigos, verdadeiros amigos, que acompanham o Dj numa qualquer ida a um qualquer local de actuação, desde o início da noite de trabalho até ao final, raramente querem repetir a experiência… e invariavelmente terminam a noite a dizer qualquer coisa como: “Não fazia ideia!” “São muitas horas!” “Agora percebo porque ficas cansado!” “Gosto muito de ti mas para a próxima venho cá ter!” “Como é que aturas isto!” “Não te pagam que chegue!” “Quando vamos embora?” “É sempre assim?”, e podia continuar mas já perceberam a ideia.
É nesses momentos que o disco jockey deprime, quando os outros percebem que a sua função tem muito pouco de glamourosa, que afinal não se apanhou a moca, nem se teve sexo com 2 pessoas durante noite… que afinal se esteve ali a trabalhar…
A função é cheia de mitos e lendas, e são esses mitos e lendas que levam qualquer merda a querer ser Dj e a sentirem-se capazes de o fazer…
Está claro que no meio disto de tudo existem noites de excepção, em que acabas numa varanda de um último andar a fazer um after com miúdas em top-less, a beber Stolichnaya gelada com sumo de laranja natural, mas isso é só depois de veres o teu trabalho, sim trabalho, valorizado!

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Francisco Barros

- Realizador e locutor radiofónico nos 90´s com "Rockodromo" & Outros
- Proprietário da extinta "Crash-Discos".
- Vocalista em "Model".
- Passador de música e performer em "Robotic Sessions".
- Musico experimental & Ocasional
- Colaborador e Ex-colaborador em diversas publicações nacionais e locais.

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