Talento. Vocação. Propósito. Sina. Fado. No que à minha pessoa diz respeito, são termos turvos e abstractos. Pouco aplicáveis à minha vida, na medida em que ainda não descobri nenhum. Vivo em constante inquietação, respiro dúvidas, durmo sobre questões existenciais que, por vezes, nem sequer fazem sentido.Nem toda a gente tem a sorte (!?) de encontrar uma actividade, seja um hobby ou um emprego, que a satisfaça plenamente.

foto: Mconnors @ Morguefile.com

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Há quem defenda que para sabermos qual a nossa vocação, devemos insistir numa actividade que até gostamos e, com o tempo, com a prática e insistência, podemos transformar essa actividade em vocação e potencialmente, descobrir o nosso talento. Talvez seja verdade, não sei. Mas nem todos temos oportunidade, disponibilidade e tempo para ingressar nessa descoberta. Está certo que as oportunidades se criam e, como diz o ditado, “fecha-se uma porta, abre-se uma janela”, o que significa que, ainda que nos encontremos numa situação sem saída aparente, há sempre forma de dar a volta e eventualmente, encontrar uma solução. Com 31 anos de experiência(s) de vida, não consegui ainda encontrar forma de abrir essa janela. Desconfio que, no meu caso, não se trate de uma janela, mas talvez um alçapão, do qual não encontrei ainda a chave mestra para o abrir e permitir-me descer ao meu interior e, eventualmente, encontrar por lá o baú onde a minha vocação está escondida.
Não importa.
Tenho até morrer para a encontrar e, mesmo que não a encontre, pelo menos tentei.

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Simão Mendes

Terráqueo abstracto que todos os dias procura descobrir-se e a quem o riso é indispensável. Vive despreocupadamente. Viciado em pizza, aprecia o café a 3/4 e sonha ir ao espaço.

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