Os Plus Ultra emergem no panorama musical nacional com um som totalmente do e para o século XXI.
Como escrevi anteriormente aqui na Irreversível – Em Plus Ultra a simplicidade é a palavra de ordem, aqui não há lugar a complicações, todo um espírito genuinamente punk em formato power-trio que debita doses generosas de rock para abanar o corpo e a alma. – o que confirmei mais uma vez no concerto (ou será conserto?!) no Sábado 13.02.16 @ Hard-Club, organizado pela Quebra Sentidos Associação Cultural.
Mais do que uma crónica do concerto impunha-se ouvir o que tinham para dizer. O Azevedo acedeu a responder a umas perguntas irreversíveis:

Miguel Azevedo - Plus Ultra

Miguel Azevedo – Plus Ultra – Pic by Hugo Adelino Photo

– Sempre que vi Plus Ultra em palco a banda debita uma energia contagiante. É causa ou consequência?
– Não te sei dizer o que é, muito menos se é causada por alguma coisa! Talvez seja a nossa forma de “vomitar” o que nos vai na alma… ou noutro sitio qualquer… até porque a seguir a um bom concerto há sempre uma sensação de alívio.

– Alívio?
– Sim, quando tás mal disposto e vomitas acaba por ser um momento intenso do teu corpo a mandar cá para fora o que te está a fazer mal, e o que se segue é uma sensação de alívio!
Isto basicamente resume um concerto nosso, digo eu… Até podíamos começar a dizer que fazemos consertos e não concertos…

– O vosso som soa a algo de fusão entre “géneros”. Plus Ultra foi pensado assim?
– Não. Fazemos o que nos soa e sabe bem!

– 2015 foi um ano de afirmação dos Plus Ultra por vários palcos nacionais, onde foram muito bem recebidos pelo publico. O que podemos esperar de 2016? Muitas datas já marcadas?
– Sim, Já temos uma data de “consertos” marcados por aí fora, vamos finalmente a Lisboa de uma forma decente – Festival Rescaldo na Galeria ZDB – passamos por Lisboa em 2015 mas acho que ninguém reparou, por isso estamos entusiasmados com este gig. Vamos lá ver!
Para 2016 temos aí mais uma k7 pronta a pôr cá fora, com temas antigos mais uns B-sides e umas jams para a malta curtir. Falta só acertar uns detalhes e a coisa ta cá fora!

– Novamente k7s! É uma questão de princípio?
– Não, é uma solução que a nossa editora Lovers & Lollypops nos dá com muita liberdade e rapidez para pôr coisas cá fora! E na verdade também gostamos do objecto…

– … mas hoje em dia o digital chega a mais pessoas…
– A ideia da k7 passa por ter um objecto que representa o teu trabalho e materializa as tuas musicas.
Claro que hoje em dia passa tudo pelo teu computador, telemóvel, tablet, ou lá o que for, e não consegues por uma cassete a tocar, vais sempre ouvir os temas online, e para quem quer apoiar um bocado mais a banda compra a k7 quase como se comprasses um t-shirt …   e a edição inclui naturalmente a versão digital.

Plus Ultra

Plus Ultra – Azevedo – Gon – Kino – Pic by Hugo Adelino Photo

– O próximo trabalho também será produzido por Plus Ultra como aconteceu com anterior?
– Sim.

– Ao produzir um disco onde se participa como elemento da banda não se corre o risco de não conseguir separar as águas?
– Acho que sim quando falamos de discos que são obras de produção musical com pré produções, arranjos, meses de estúdio, fogo de artifício e comida gourmet… Aí sim, precisas de um produtor, alguém que supervisiona e tem uma ideia para onde quer levar o “artista”… Nós não precisamos de nada disso! Claro, se o Rick Rubin quisesse gravar os Plus Ultra não dizia que não.

– Percebe-se que a vossa atitude é claramente descontraída e que o vosso som é completamente descomplexado, em oposição a um panorama muitas vezes cinzento e quase sempre agarrado a estilos e géneros…
– Eu por acaso não acho que o panorama musical esteja de todo cinzento, se as bandas se agarram a estilos e géneros é problema delas, porque na verdade acho que as coisas estão cada vez mais misturadas. Tens festivais como o Milhões de Festa que misturam hip-hop , musica étnica , metal e electrónica. E acabaram por influenciar uma data de eventos que seguem a mesma linha… É bastante comum hoje em dia teres eventos que misturam tudo e mais alguma coisa, mesmo sendo no mesmo dia do festival. Antigamente era comum teres o dia do metal por exemplo, hoje acho q isso está se dissolver e o público acaba por experimentar mais coisas… Agora as bandas adaptam-se a isso ou não.
A nós não nos faz confusão nenhuma tocar no meio de bandas indie, hip hop, ou black metal.

– … e o Azevedo fora do Plus Ultra?
– É igual mas sem vómitos…

– O que é para ti Irreversível?
– Acho que nada é irreversível se tiveres o poder de relativizar as coisas. E uma pitada de criatividade também ajuda!

Pic by Joel Madeira - Wooden Eyes Never Lie - @ Hard Club

Miguel Azevedo – Plus Ultra – Pic by Wooden Eyes Never Lie – @ Hard Club

Os Plus Ultra percorrem sonoridades frescas, descomplexadas quanto a estilos e géneros, bem temperadas e cheias engenho sonoro, são uma completa lufada de rock arejado numa paisagem tantas vezes saturada por mais do mesmo.

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Francisco Barros

- Realizador e locutor radiofónico nos 90´s com "Rockodromo" & Outros
- Proprietário da extinta "Crash-Discos".
- Vocalista em "Model".
- Passador de música e performer em "Robotic Sessions".
- Musico experimental & Ocasional
- Colaborador e Ex-colaborador em diversas publicações nacionais e locais.

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