Percurso Áspero

Está tudo escuro
Não se te consegue discernir
O nada
Que te arrasta
Para os confins da loucura
E na tua resistência
Tu tentas ficar
Firme
Erradamente até ao fim
A digladiar-te para manter a cabeça à tona
Queixo levantado
Estoicamente
Enquanto por dentro te desmoronas
Numa tarefa árdua
Para tentar juntar os pedaços no sítio
Mas são só restos
Daquilo que já foste
Lá atrás
Muito atrás
Ah, sim
Foi tudo isso
Trouxeste até aqui
Aos tropeções
E a cada um deles
Te levantaste
Num sonho
No teu pesadelo
Caminhaste em vão
Por todo lado
Que foi lado nenhum
Persistes
Em ti
A pensar
A repensar
Nas inúmeras e infindáveis
Vias que exacerbavam dos teus confins
Perduraste
Sim, perduraste
E pelo caminho deixaste um rastro
De sangue coagulado
Que foi explodindo
Deixando-te o corpo
Minado de cicatrizes internas
Que por vezes
Lanças cá para fora
Acredito eu
Na esperança de te lerem
Mas tu nunca te deixaste tocar
De maneira a transbordares
E te libertares
Então ficaste
Seca por dentro

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Miguel Pedro Carvalhais

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