GUIdance
Festival Internacional de Dança Contemporânea
Centro Cultural Vila Flor/Plataforma das Artes e da Criatividade
Guimarães 02 – 11 Fevereiro 2017

Aconteceu para felicidade e deleite de todos aqueles que, como eu, amam o espectáculo cénico e a dança em todas as suas gradações! Ao serviço da Irreversível Magazine tivemos a oportunidade de assistir e fotografar (em poucos casos) a um ensaio-geral e meio-espectáculo e dois espectáculos inteiros*:

02 Fevereiro 2017 – ensaio-geral de “Autointitulado” – João dos Santos Martins e Cyriaque Villemaux.

Minhas emoções sobre aquilo que me foi dado ver:

Não me peçam calmas e pressas, que eu não sou um ser de tempos. Movo-me melhor se estiver no espaço, por onde passam os carros e os erros e até as horas que são tão poucas e olham vazias, para mim, desde um palco-espaço onde o pantomimeiro gesticula seus dançares e seus caíres como se tudo à volta já tivesse sido dito. Como se de um drama se tivesse tratado. E o espaço, esse lugar tão longe do tempo, permanece vazio, apesar de vário, apesar de não serem esses os movimentos que o meu corpo executa, todos os dias, após o pequeno-almoço. Há um futuro espectáculo que corre ali como um gato atrás de um qualquer objecto em movimento, uma fugidia nesga de luz. Os carros na rua, os primeiros passos do homem na lua, não assam de eternas repetições dos movimentos esquecidos. Os bailarinos são como um pretérito-mais-do-que-imperfeito… Eles são um verbo conjugado sem tempo.

Desenho: pauloramosartistadesenhistapoetafotografo

Desenho: pauloramosartistadesenhistapoetafotografo

02 Fevereiro 2017 – segunda parte de “Conceal/Reveal” de Russell Maliphant.

Minhas emoções sobre o que me foi dado ver:

O movimento dos corpos desnecessários ou quando a luz é a dona dos movimentos. Eu vou contar uma história, eu… Vou contar-te uma história, ou não! Não, não vou… Vou dizer-te o que vi e o que vi foram notas musicais e corpos que dedilhavam. Faziam arquipélago como se de ilhas, a milhares e milhares de milhas, se tratassem. Pauta, corda, acordes e silêncios! Formas superiores de superar a morte enquanto momento, a morte nunca se supera enquanto lugar no espaço (espesso). Repetem-se quadros e cortes lisérgicos num redemoinhar repartido de ângulos obtusos. Cacofonia renitente que cisma os olhos e reverbera movimentos.

pauloramosartistadesenhistapoetafotografo

Desenho: pauloramosartistadesenhistapoetafotografo

09 fevereiro 2017 – Espectáculo completo “A Tundra” de Luís Guerra.

Minhas emoções sobre o que me foi dado ver:

Um floco de neve a pairar sobre o preto do chão e do ambiente, a convidar à espera latente pelo frio e pelo corpo que vai da e tirar calor do movimento. Os corpos que dançam são sempre estranhos, excêntricos e inesperados, enchem os olhos com/sem calor que se veja. Enchem de desejo os corpos parados de quem vê… O tempo não passará, por mim, por eles e, muito menos, por nós! Arritmias, desarmonias, uma contundência e uma mais que fria envolvência. Como um texto sem semântica a monotonia das vogais e o uivar do vento. Monotonia, monocromia e dissonância a jogar de forma incerta com a certeza do frio Os corpos frios a não-reflectir a frieza do olhar. Não perguntem o que fizeram os corpos… Não sei! Sei o que os corpos não fizeram e o que não fizeram foi dar-me prazer.

Desenho: pauloramosartistadesenhistapoetafotografo

Desenho: pauloramosartistadesenhistapoetafotografo

10 fevereiro 2017 – Espectáculo completo “This is Concrete” de Jefta van Dinther e Thiago Granato.

Minhas emoções sobre o que me foi dado ver:

Conjugar o ondular e o desmontar de forma intercalada. O drama que se anuncia, previsto, adivinhado, em clip-pop místico o pulsar ultra-sónico da música electrizante. Monstruosamente belos e delicadamente masculinos, os corpos (doidos e doídos) movem-se na solidão do palco que o olhar frequenta. Anjos selvagens a comer-se pelas beiras, a preparar ataques que passam a apetecer também às nossas bocas. Plateia-boca que saliva os corpos-espectáculo que se fazem sabor. Podemos mudar de lugar, mas não podemos mudar o olhar e não há como olhar para qualquer outra coisa que não sejam os corpos a dançar e desejar que o tempo não passe. Testemunhas dos corpos, somos um corpo único e voyeur do que se passa entre os corpos a dançar. Simplesmente sensacional!

Desenho: pauloramosartistadesenhistapoetafotografo

Desenho: pauloramosartistadesenhistapoetafotografo

Parabéns a todos os envolvidos no GUIdance 2017. Vida longa…
Aos que tiverem perdido o evento resta esperar mais um ano pelo que virá…

*(Devido a impedimentos em realizar fotografias de alguns espectáculos, e às restrições de outros, decidi desenhar momentos de observação… Que utilizarei como ilustração!)

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Nota do editor: Por opção meramente editorial não foram utilizadas as fotografias realizadas pelos nossos colaboradores.

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PAR

Sou muitos por cento H2O o que quer dizer que fervo a 100 e congelo a zero... tenho muito para dizer mas só digo quando quero.

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