Erdogan

Erdogan, democraticamente eleito, tem feito um óptimo trabalho no que toca a encurralar as instituições democráticas. O alegado golpe de Estado que deixou a Turquia em estado de sítio tresanda a false flag attack, uma encenação para tirar de circulação toda a réstia de potencial oposição no interior do exército, e marca um novo capítulo na caça às bruxas de um governante autoritário que mandou prender milhares nos últimos dias.

Poucos saberão o que realmente se passou na Turquia. As hipóteses de estarmos perante um golpe de Estado valem exactamente o mesmo que a possibilidade de se tratar de uma encenação coordenada directamente pelo regime. Não seria a primeira vez que o mundo assistia a tal façanha e a purga de Erdogan parece querer indicar, no mínimo, que o presidente turco aproveitou a deixa para levar a cabo o seu próprio golpe, encarcerando qualquer foco de oposição, nas forças armadas como nos tribunais.

Tudo isto se passa às portas da União Europeia incapaz de reagir, num estado que pretende fazer parte da organização que lhe entregou 3000 milhões de euros para controlar os fluxos migratórios de refugiados sírios, acompanhados de promessas de um novo impulso nas negociações para a adesão da Turquia. Um estado que pretende agora reinstituir a pena de morte na sequência do golpe/encenação em curso. Feitas as contas, o poder quase absoluto de Erdogan sai reforçado e a instabilidade na fronteira leste da Europa agudiza-se. Isto num momento em que o discurso xenófobo e racista da extrema-direita ganha cada vez mais protagonismo no seio da UE, com casos de total desrespeito pelos direitos humanos à mistura em países como a Hungria. Quantos golpes aguentará esta frágil União?

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João Mendes

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