Na democracia, não há eleitores de primeira ou de segunda.
Há apenas eleitores, e por mais que custe aos elitistas e iluminados, cada um deles vale um voto.
E no duelo entre os piores candidatos de sempre a concorrer a umas eleições Presidenciais Norte Americanas, os eleitores preferiram Trump.

O grande derrotado desta eleição é o corrupto Partido Democrata, DNC para os amigos…
A decisão de boicotar, rasteirar e caluniar a campanha de Bernie Sanders saiu-lhes bem cara, e poderá ser o povo dos Estados Unidos a pagar a factura.
Está agora provado, graças aos emails revelados pela Wikileaks, que o Presidente Obama, o chefe de campanha da Hillary Clinton e o Partido Democrata conspiraram desde o início em garantir
que a Sra Clinton seria a nomeada do partido, independentemente da vontade popular ou dos antecedentes criminais que fragilizavam a sua imagem.

Sabemos agora que, mesmo antes de Bernie Sanders avançar sequer para as eleições primárias (que decidem qual o candidato a recolher o apoio do partido), já o seu destino estava traçado, e
seriam utilizados todos os meios para impedir que o progressista senador do Vermont, reconhecido pelas lutas em prol dos direitos civis ao longo de décadas e inimigo declarado da elite
multi-bilionária que escraviza o povo, chegasse à posição de nomeado.

Entretanto, o Partido Republicano encontrava-se à deriva, com uma mão cheia de candidatos incompetentes e oportunistas a caluniarem-se mutuamente.
Uma colecção de cromos raros, qual deles o mais detestável, Ted Cruz, Chris Christie, Marco Rubio, Jeb Bush,…. e Donald Trump.
Aqui o gangue completo:
presidential-candidates-2016

As sondagens iniciais avisaram, ainda durante as Primárias:
– Bernie Sanders era o único que garantia uma vitória clara contra Trump.
Hillary Clinton era uma aposta arriscada, sobretudo devido à péssima imagem que a tornava repelente para uma faixa considerável do eleitorado.
Entre os seus mais acérrimos opositores, encontravam-se os apoiantes de Sanders (muitos não lhe perdoaram!) e todos os descontentes e mal-amados a quem o sistema político tradicional bipartidário traíra as expectativas, sucessivamente.
Contra todas as cautelas, a máquina do establishment manteve Hillary Clinton como a única candidata plausível, como forma de garantir o funcionamento do seu sistema podre e corrupto.
Afinal, a alta finança de Wall Street, os grandes grupos económicos, a máquina de guerra, os aliados Israel, Arábia Saudita e Qatar,… a todos interessava a manutenção do status quo.
Jamais arriscariam entregar a nomeação a um progressista, um socialista de coração guerreiro e discurso forte como Bernie Sanders.

Assim que ficou definida a batalha Clinton versus Trump, os media enveredaram pela cruzada total.
Até aí, o excêntrico bilionário era um entretenimento proveitoso para as audiências, afinal todos gostavam de uma boa palhaçada.
Mas a partir do momento em que a perspectiva do mesmo se tornar Presidente dos Estados Unidos e levar a cabo algumas das políticas anunciadas seus discursos inflamados, se tornou uma realidade provável, os media uniram-se em volta dos interesses instalados e iniciaram uma guerra suja contra o candidato Republicano.
Valia tudo, desde revistar a sua vida pessoal até desenterrar “tesourinhos deprimentes” com décadas…

Afinal, as promessas de Trump em diminuir a influência dos Estados Unidos no exterior e focalizar-se mais no crescimento económico e criação de emprego, não agradam a um país cujo poder advém da sua agressiva e subversiva política externa, neo-colonial na abordagem e fomento de instabilidade global.
Para além disso, a sua insistência em travar a imigração ilegal, colocou muitos empresários em pânico, habituados a pagar misérias aos hispânicos que suavam nas suas linhas de montagem, explorações agrícolas ou hotelaria.
Não houve, portanto, qualquer motivo nobre na resistência a Trump.
Foi tudo por um bom punhado de dólares, a defesa desesperada de um sistema podre.

Entretanto, choviam as revelações de Julian Assange, presidente e fundador da Wikileaks.
A imagem de Hillary Clinton deteriorava-se cada vez mais, com acusações e provas de corrupção, tráfico de influências e aproveitamento financeiro ilegal.
Isto, enquanto Secretária de Estado e durante outros cargos públicos que ocupou.
Prevê-se que a família Clinton amealhou 3 mil milhões de dólares em donativos, durante 41 anos.

 

Entretanto os apoiantes de Trump foram catalogados como ignorantes e racistas, “tudo” gente muito inculta e frustrada, com ânsias de violência.
Outro grande erro, uma presunção insolente e simplista que se revelou fatal.

Na fase final, uma derradeira investida dos media liderada pelo New York Times, mas que se estendeu a todo o globo, alertava para os perigos da “procura de informação na internet”.
Cuidado! Não confiem senão nos meios de comunicação tradicionais! Não procurem os factos, limitem-se a acreditar na nossa propaganda!
Penso que ficou bem patente que grande parte do eleitorado recusa ser manipulado pelos media, e que sabe procurar e analisar os factos, formando a sua própria opinião.

Hillary rodeou-se de todas as estrelas do entretenimento, todos os apresentadores de talk-shows, estrelas do desporto, pivots e comentadores das grandes estações de televisão.
Todos eles, ricos e poderosos, felizes produtos de um sistema que esquecera e falhara à esmagadora maioria dos anónimos.
Afinal, que interessa a opinião da Beyonce ou do Robert DeNiro a quem vive miseravelmente e sem perspectivas de melhoria?!?

Donald Trump permaneceu firme, sozinho e isolado, com o triste destino traçado pelas sondagens encomendadas.

Mas o povo mostrou ser imune e impermeável à pressão mediática.
Não perdoaram a corrupção e irresponsabilidade de Hillary Clinton, e decidiram castigar severamente o establishment.
O resultado é mais um cartão vermelho ao sistema do que uma aceitação de Donald Trump.

Foi uma lição de democracia, para os políticos do mundo aprenderem a respeitar o eleitorado, perceberem que a manipulação já não funciona como antigamente.
O povo está cansado do sistema, da rotatividade de políticas que servem apenas quem as implementa.
Está farto da crescente disparidade económica, do fosso nas oportunidades que separam os filhos dos enteados.

E foi também uma bofetada na cara dos media tradicionais!
A prova de que as massas não tolerarão mais a propaganda, a traição ao dever de informar com independência e idoneidade.
Com certeza que estes aprenderão a sua lição, e irão tratar o seu público com menos condescendência e cinismo.
Afinal, não somos assim tão estúpidos!

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Luis Costa

Não mais deixarei intocável a minha divindade.
Ficarei à mercê do tenebroso juízo e assustadora pena, de todos quantos quiserem vislumbrar, porventura explorar, as fraquezas e timidez de um Deus da guerra, cansado de inconscientemente fugir da paz sempre adiada.
De futuro, caminharei ao lado do comum dos mortais.

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