Warning: este texto contém revelações e teorias sobre potencialmente tudo o que aconteceu até ao final da sexta temporada d’A Guerra dos Tronos. E sobre muito do que está para acontecer, a julgar pelos dois trailers oficiais e por aquilo que se especula entre a gigantesca comunidade que se dedica a reflectir sobre este que é um dos maiores fenómenos televisivos de sempre, senão mesmo o maior, e da qual sou observador ocasional. Nunca fui a uma comic-com, mas se for ali no Porto e o Tyrion estiver no alinhamento, sou bem menino para comprar bilhete. Sempre gostei de ouvir pessoas brilhantes que bebem vinho e sabem coisas.

*****

Nunca o Inverno foi tão bem-vindo no pico do Verão. Tão bem-vindo que unhas são roídas enquanto escrevo estas linhas, tal é a ansiedade provocada pela notícia trazida pelo corvo branco de Oldtown. A norte há um novo rei, a sul uma nova aliança, Essos prepara-se para sair do mapa do genérico, à medida que os barcos de Daenerys Targaryen se aproximam de Dragonstone, e, na capital… bem, na capital é a anarquia do costume. A mad queen Cersei reduziu o septo de Baelor a pó, dizimou o Daesh de King’s Landing, exterminou a linhagem Tyrell, provocou o suicídio do seu último filho – gold will be their crowns, gold their shrouds – e coroou-se monarca absoluta dos Sete Reinos. Com um arsenal nuclear de wildfire, o engenho do Dr. Frankenstein Qyburn e a força bruta e acéfala de Sir Gregor Clegane “walking dead” The Mountain, parece-me que estamos perante uma missão para o Kingslayer, com cara de poucos amigos durante a coroação da irmã e amante.

A Guerra dos Tronos não pára de surpreender, seja pelos magníficos cenários ou pela genialidade dos efeitos especiais, seja pelo elenco de actores e técnicos de excelência, seja pela sua imprevisibilidade, sempre pronta para contrariar os cânones do entretenimento mainstream contemporâneo. Mas sobretudo devido à magistral obra de George R. R. Martin, adaptada e alterada aqui e ali, uma história de poder, magia e de “grandes conversas em salas elegantes”. Tudo arrebata, ninguém está a salvo e a linha que separa o mal do bem é ténue, fosca, abstracta.

Chegados a este ponto, vários reis, aspirantes e guerreiros depois, damos por nós a pensar no que virá a seguir. Quem irá auxiliar o bastardo menos bastardo de sempre na sua luta contra a ameaça que vem de norte da muralha? O Leão, ainda consegue rugir? Que estragos irá causar Euron Greyjoy? Irá aliar-se aos Lannisters? Olenna Tyrell conseguirá vingar a morte da sua linhagem? As Sand Snakes, conseguirão vingar a morte de Oberyn Martell? Arya Stark completará a sua lista? Que descobertas fará Samwell Tarly na Cidadela? Qual é a importância das visões de Bran Stark na guerra contra a longa noite que se aproxima? Sobreviverá Petyr “Littlefinger” Bealish à sua chegada a Winterfell? Que casamentos alterarão o equilíbrio de forças em Westeros? Casará Jon Snow com a sua tia? Quem pagará a dívida ao Banco de Ferro? Quanto tempo aguentará a Muralha? E como aguentaremos nós até 2019, para ver os seis episódios que faltam, depois destes sete passarem num ápice?

 

Tudo é possível n’A Guerra dos Tronos. Em Westeros, todos podem ascender e cair em desgraça. Todos podem morrer e ressuscitar. Todos podem ser White walkers. Ou Fire Walkers, como o former Lord Commander da Night’s Watch, alegadamente reanimado pelo poder do Deus Vermelho. Ou como Beric Dondarrion, cuja chama da vida foi já várias vezes reacendida pelo sacerdote boémio Thoros of Myr, de forma não muito diferente da usada pelo Night King em Hardhome.

Todos podem ser reis. Ou presumir que o são sem nunca o ser. Ou sê-lo sem nunca perceber que o foram. A “escada do caos”, para lá das Casas, dos castelos, dos exércitos e das ilusões, para lá dos Dragões, das sacerdotisas e da magia negra, é a única verdade absoluta em Westeros. Tudo é poder, tudo é efémero, tudo é imprevisível. E é pouco provável que o “bem” derrote o “mal”, pelo menos no sentido clássico da coisa, para que os “bons” vivam felizes para sempre. Porque os “bons” morrem mais rápido e em maior quantidade que os “maus”. Porque os “bons” podem não o ser assim tanto, e os “maus” menos maus do que aparentam. Robert Baratheon era “bom”? Rhaegar Targaryen era “mau”? É tudo uma questão de perspectiva e a perspectiva tende a alterar-se, freneticamente, ao longo das diferentes temporadas da série. A cada nova visão de Bran Stark, o legítimo herdeiro e senhor de Winterfell a.k.a. Warden of the North, que apesar dos títulos tem mais que fazer. O bem, o mal e a razão, tal como o poder, residem onde os homens acreditam que eles residem.

Vêm aí novas cidades e castelos, batalhas no mar e em terra, uma rapariga a riscar nomes da sua lista, um lobo transformado em corvo com poderes sobrenaturais, capaz de viajar no tempo e alterar o curso da história, casas ancestrais dizimadas, alianças improváveis entre actores voláteis, muito sangue, coisas a arder, protagonistas a morrer como moscas e um exército de mortos-vivos em direcção a sul. E parece que o bastardo do rei Robert Baratheon encontrou o martelo do pai. Faltam poucas horas para a estreia e já não há mais unhas para roer. I wish you all good fortune, in the season to come

Fotos: HBO

Comentários



João Mendes

Publicação Anterior

Milhões de Festa'17 | Agenda

Proxima Publicação

Park Festival | Agenda