Um certo dia, determinado indivíduo decidiu que “gostos não se discutem”. Desde então, muitos foram aqueles que, assumindo esta premissa como sua, fizeram aquilo que fazem com tantas outras premissas que decidem incorporar: aplicaram-lhe outra premissa, talvez não tão conhecida mas igualmente legítima e “cagaram-lhe de alto”. É claro que os gostos se discutem. Discutem-se como qualquer outra coisa. E o gosto que vos trago hoje merece ser discutido, apesar de sentir que represento a minoria na medida em que a maioria aparenta gostar do gosto do qual não gosto. E se a maioria gosta, é provável que eu esteja errado por não gostar. Algo de que não gosto.

blazer

fotos: cmjornal.xl.pt

Falo da imprensa cor-de-rosa, esse éden do fútil e do absurdo onde literalmente qualquer merda é tema de interesse nacional. Eu até compreendo que, numa sociedade onde o culto da coscuvelhice está tão enraizado, importe a tantas almas onde o actor A passa férias, o acidente daquele músico que nem era conhecido por ser boémio ou a 24ª operação plástica de um desses peixes de rio de Cascais. O que eu não compreendo são “notícias” como aquela que surgiu na edição online da revista Flash no final de Junho passado: “Ministra repete blazer em eventos“.

Porra, a quem é que uma porcaria destas interessa? Que importância tem o facto de Anabela Rodrigues ter usado “O blazer de padrão zebra, acetinado e em tons de azul e roxo” em “pelo menos seis ocasiões desde abril.“? Será crime repetir roupa? Um acto de desrespeito pelo país e pelos portugueses? E o “vestido com decote em ‘V’, folhado, roxo e também acetinado” que a ministra usou pelo menos em duas ocasiões durante o mês de Junho? A sério? Duas vezes??? Terão confundido a ministra com a Cinha Jardim?

A coisa é aparentemente tão relevante que o Correio da Manhã, ícone maior do jornalismo sensacionalista nacional, se deu ao trabalho de contactar o gabinete da ministra para obter reacções. O gabinete, como seria de esperar de gente lúcida, não comentou. Ia dizer o quê? Que a ministra é má gestora do seu closet e que surgir por mais do que uma vez com a mesma peça vestida foi culpa do assessor de moda, entretanto colocado em mobilidade interna? Que, coitada, é pobre e não tem dinheiro para comprar um blazer padrão zebra, acetinado e em tons de azul e roxo novo para cada evento em que participa? Não sei o que será mais estúpido: se a interpelação do CM se ler uma porcaria destas. Venha o José Castelo Branco e escolha.

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João Mendes

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