Desde que começava o mês de Dezembro que eu só sonhava com o dia de natal. O cheiro a canela, as luzinhas da árvore e claro, os presentes.

Antigamente pedíamos uma coisa, não cinco ou vinte. Pedi num natal um churom e tive mesmo. No natal seguinte, pedi uma boneca barbie marca branca e também tive. Nesse natal, tinha pedido um diário com cadeado. Já era mais espigadota, tinha uns segredos que ninguém podia saber, tipo treinar o beijo de língua com a mão.

Sempre me interroguei como o pai natal conseguia mesmo aquilo que queríamos. Nesse natal, no natal de 1989, iria ficar a saber umas coisas sobre o pai natal.
Acordei a meio da noite para fazer chichi e ouvi um barulho. Fui devagar e vi um homem de ceroulas brancas a mexer nas prendas. Tinha uma t- shirt dos Bee Gees.
Não era o pai natal, certamente.
Agarrei-me a ele e dei-lhe dois biqueiros nas pernas.
O homem virou-se para trás e disse: “Levas já duas putas nessas beiças. Volta para a cama, caralho “.

E eu fui, com medo não dormi. Ansiosa pela manhã. Quando vi a minha Mãe a pé fui a correr até à árvore. Chegaram os meus primos, também. Lá estavam as prendas, tudo direitinho, e eu pensei: “… foda-se, não nos roubaram, é aquilo que pedimos, que merda é que se passou aqui, afinal? ”

Nesse dia, o meu tio Júlio mancou e olhou-me de esguelha. Nunca percebi porquê. Mas o que percebi é que o pai natal curte dançar com o dedo apontado ao Senhor, vestindo calças a afunilar e de cancela aberta.
Feliz natal a todos.kids-who-really-dont-like-santa-23-pics3

Comentários



Véronique S.

Tem os braços onde deveria ter as orelhas. Tem o coração onde deveria ter os olhos. Já as entranhas, costuma adormecer a mexer nelas. Qual criança que brinca com os cabelos até o sono à visitar.

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