Nota prévia editorial:
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A corrupção não existe. A corrupção, o tráfico de influências ou qualquer forma de clientelismo. Pelo menos na política. Existem uns quantos chanfrados, que se escudam nestes argumentos patéticos como forma de desculpar a sua inércia enquanto pessoa, enquanto empreendedor, porque na verdade não passam de invejosos egocêntricos que mais não sabem fazer do que se queixar e criticar.

São tudo teorias da conspiração. Um político quer, por princípio, ser reeleito. Existem leis que impedem delitos. Existem grandes escritórios de advocacia que ajudam na criação dessas mesmas leis para que se tornem infalíveis. E também esses escritórios querem continuar a trabalhar e o Estado, os organismos públicos, são clientes que pagam e que por norma são muito sérios. Até porque alguns dos seus funcionários são também funcionários do Estado logo seria uma loucura achar que estas pessoas, idóneas, seriam potenciais criminosos.

Infelizmente existem aqueles que se dedicam a esmiuçar estes assuntos. Que vêm corrupção, tráfico de influências e clientelismos em todo o lado. E nós, povo, precisamos de desculpas para a nossa incapacidade de progredirmos enquanto sociedade. Precisamos de bodes expiatórios. Queremos sangue, culpados, queremos responsabilizar alguém. E quem melhor do que aqueles que estão sob os holofotes mediáticos e que se expõem pelo bem comum?

Portugal está melhor. A Europa está melhor. Se existe quem não tenha emprego, quem não tenha o que comer ou como pagar as suas contas, é porque essas mesmas pessoas são desleixadas, não se esforçam, querem tudo feito de mão beijada. Os nossos políticos, aqueles que nos têm governado, são seres humanos de bem, gente que vive em função da comunidade. Sócrates é um injustiçado, os banqueiros debaixo de fogo são injustiçados e os gestores públicos que com as melhores intenções fizeram swaps que correram mal são injustiçados. No fundo deram o que podiam, mas nem sempre correu como esperado.

O problema somos nós, uma sociedade civil fraca e incapaz de reconhecer a boa-fé, a dedicação à causa pública. A dedicação ao bem-estar comum. Somos mal-agradecidos e passivos no sentido de nos acomodarmos a subsídios e outras formas de parasitismo. Somos ingratos. Pensamos no nosso umbigo quando devíamos pensar no todo. Nas pessoas. No país. Na humanidade. Somos fraca rés.

Está na hora de mudar. De deixarmos de nos ocupar com detalhes como o jota que conseguiu um emprego no sector público apesar de não ter habilitação para isso ou do político que até entregou um negócio a uma empresa da qual recebe uma avença. Se isto acontece, é com certeza em prol do bem comum. Mas nós, na nossa apatia de rebeldes sem causa, a partilhar escândalos nas redes sociais ou a criticar uma determinada decisão que, inesperadamente, acabou por causar alguns prejuízos, insistimos em fazer parte do problema e não da solução. Até porque, se elegemos quem elegemos, é porque lhes reconhecemos capacidades. Está na hora de, de uma vez por todas, nos remetermos ao nosso canto, trabalhar e pagar impostos, e deixar as mais altas tarefas para quem sabe. Afinal de contas, Portugal não é a Grécia.

Acabemos de uma vez por todas com estas revoltas para depois deixarmos tudo na mesma. Basta de indignações vazias que não passam da mesa do café. Basta de manifestações até à hora do jantar. Coloquemos um ponto final nos radicalismos, nos lirismos e nas utopias fanáticas. Até porque, na generalidade, votamos sempre nos mesmos, ou nem sequer nos damos ao trabalho de votar. Porque que raio nos queixamos nós? Paremos com isto amigo e conterrâneo português. E não te preocupes, está tudo bem.

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João Mendes

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