Isabel II

A monarquia, por si só, é no meu entender um regime estúpido. Sair do pipi real não habilita ninguém a governar, mesmo que de forma decorativa, e a beneficiar de fortunas astronómicas, regra geral fruto da exploração violenta de gerações de desgraçados que viviam e morriam em função dos apetites de um bando de sanguinários. É no mínimo imoral e deve ser combatido.

Não quero com isto colocar em causa a legitimidade de um povo de optar democraticamente pelo regime monárquico. Afinal de contas, e contra mim falo que sou republicano convicto, entre sustentar uma elite supérflua feita de protocolos parolos ou uma casta maioritariamente composta de inúteis, incompetentes e corruptos a diferença é quase nula. Mas pelo menos podemos escolher. Se escolhemos mal ou optamos por ir às compras quando deveríamos fazer uso da pouca democracia que nos resta, tal é um problema nosso. O que explica em parte o estado a que isto chegou.

Voltando à estupidez, a monarquia é hoje um regime feito de megalomanias e escândalos, príncipes inconsequentes que se fantasiam de Hitler, príncipes que fornicam tudo a torto e a direito (literalmente), princesas corruptas, casamentos de fachada e idosos prepotentes que gostam de caçar espécies ameaçadas. Mas quando chega a hora do protocolo, o mundo transforma-se num palco onde os vestidos de alta-costura pagos pelos contribuintes dos respectivos países deliciam as consumidoras de imprensa cor-de-rosa, herdeiros ao trono prostituem recém-nascidos para gáudio do histerismo fútil e situações insólitas como a que vos trago hoje demonstram o quão superficial é a existência destes parasitas sociais.

Conta-nos a edição do Diário de Notícias de 28 de Junho, numa secção devidamente formatadas com tons de rosa, que o piloto de Fórmula 1 Lewis Hamilton terá sido convidado para jantar no Palácio de Buckingham, tendo mesmo sido honrado com a cadeira imediatamente à esquerda de Sua Majestade. Acontece que, aparentemente, o jovem piloto não estava familiarizado com o inútil e provinciano protocolo. Vai daí, entusiasmado por se ver rodeado de tão distintos pavões, decidiu dirigir-se a Isabel II, que imediatamente o repreendeu:

“Não, fale primeiro para aquele lado e eu falo primeiro para este, depois volto a falar consigo.”

Ao que tudo indica, num jantar desta natureza, as regras da etiqueta roçam uma artificialidade parola digna de registo: primeiro fala-se com quem está sentado à nossa direita, para de seguida, assim que a rainha o entender, nos virarmos para a esquerda seguindo a movimentação da monarca, movimentação essa que deverá ser acompanhada de imediato por todos os presentes, estejam eles ou não a apreciar a conversa que estão a ter naquele momento. Porque a conversa não interessa nada, it’s all about the protocol!

Ah, a admirável frivolidade do velho regime. Pena que ainda sejam os plebeus a pagá-la.

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João Mendes

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