Mexeu com uma Mexeu com todas!

Esta manifestação teve como objectivo celebrar o direito das mulheres e dar especial atenção à cultura da violação, a triste realidade em que a culpa do estupro é atribuída à vitima.
Neste caso, dando especial atenção a um assunto que se passou há poucas semanas, que gerou polémica pela sua gravidade mas também pelas opiniões que se iam gerando em volta da notícia. Este vídeo apresentava uma jovem, claramente fora de si, sem reacção, deitada num banco do autocarro da queima das fitas, a ser violada por um sujeito, que lhe colocou a mão dentro das calças. Enquanto isto acontecia, um terceiro filmava e mais pessoas, à volta dos dois sujeitos principais (a rapariga violada e o violador) festejavam o acontecimento, troçando da rapariga e incitando o rapaz a fazer mais.
Exposto nas redes sociais o vídeo originou comentários que condenam este tipo de atividade, mas muitos outros de homens e de mulheres que descreviam o estado da rapariga como “consolada” e como culpada do acontecimento com frases como: “não sabe beber, não bebe”, expressões paralelas a “assim vestida queria o quê?” ou “àquela hora na rua estava a pedi-las!” Muitas das vezes dizendo mesmo que não se tratava de violação (para essas pessoas deixo o link do dicionário para que possam ficar esclarecidas).

Está na hora deste tipo de discurso defensor de quem agride a integridade sexual de uma pessoa, seja ela homem ou mulher, parar! É uma violação intervir no espaço alheio, sem consentimento, e cultivar este tipo de desculpas em volta de um crime, atenuando-o como se fossem comportamentos naturais e desculpáveis.
Bêbada/o, drogada/o, sozinha/o, sem roupa, não é não! Ninguém merece ser violado!

Rape is not a sexual act; it is not the result of a sudden, uncontrollable attraction to a woman in a skimpy dress. It is an act of power and violence. To suggest otherwise is deeply insulting to the vast majority of men, who are perfectly able to control their sexual desires.
Laura Bates, Everyday Sexism

 

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