Cheguei à festa, quase no final.
Depois de cumprimentar os presentes, que já eram apenas meia dúzia de resistentes, olhei ao redor e vi que alguém se ria desalmadamente, captando-me a atenção.
Era ela.
Senti-me imediatamente inquieto, com um nervoso miudinho a provocar-me borboletas na barriga.
A Maria era uma amiga de infância da minha irmã, mais velha que eu talvez uns 5 anos, e eu não a via há imenso tempo. Apesar dos seus trinta e muitos anos, continuava uma autêntica deusa. Aquela morena exótica, de cabelos castanhos, olhos cor de mel, tom de pele dourado, não passava indiferente a ninguém.
Naquela noite, estranhamente quente para um final de Abril, vestia um justo vestido azul de seda que insinuava discretamente as suas curvas, tornando-a mais apetecível que nunca…. Há anos que eu a desejava apesar de nunca ter sido, digamos, abordada essa questão entre nós. De certa forma ela sabia, era impossível não perceber o efeito irresistível que em mim despoletava. A Maria sempre me fascinou e eu não o conseguia esconder.
Respirei fundo, dirigi-me ao sofá onde estava sentada e convidei-me a fazer-lhe companhia.

– Posso?
– Peter?! Não acredito! Há quanto tempo! Claro que podes! – respondeu com entusiasmo.

Sentei-me no sofá, ao seu lado.

– Estás igual Maria…Uma brasa! O tempo não passa por ti?- perguntei sorrindo.
– Hum… Sempre uma simpatia… Então e tu? Posso dizer o mesmo! Cada vez estás mais giro! – respondeu corada.
– ahahah! Cada vez mais giro? Nunca me tinhas dito nada assim, mas folgo em sabê-lo! Que é feito de ti? Conta-me tudo!

Enquanto a ouvia contar todas as novidades sobre os últimos anos, recordei-me dos tempos em que ela ia estudar com a minha irmã lá para casa e eu ficava eternidades a observá-la. Já naquela altura, a sua beleza estonteante deslumbrava-me e fazia-me sonhar que um dia, ela haveria de ser minha, nem que fosse só por um instante.
Ali permanecemos.
Falamos horas a fio e as circunstâncias proporcionaram que ficássemos sozinhos.
Com a ajuda da garrafa de Jack Daniels que eu tinha comprado antes de lá chegar, a conversa desenrolou-se e fomo-nos desinibindo. Era a primeira vez que conversávamos assim próximos, durante tanto tempo, completamente despidos de preconceitos…
Entre histórias caricatas, risinhos e gargalhadas, ela conta uma das suas aventuras eróticas, com uma colega de trabalho:

– … foi louco demais, não imaginas a adrenalina que senti quando ela me encostou à parede do elevador e literalmente me arrancou as cuecas por debaixo da saia, enquanto me beijava, como se eu fosse a última pessoa do mundo e as nossas vidas fossem terminar ali! Foi assim, a primeira vez que estive com uma mulher…

“Se soubesses o tesão que essa tua conversa me provoca”, pensava eu, ao mesmo tempo que a questionava, na esperança que desenvolvesse mais a história…
–  Que louca! E não tiveste medo de ser apanhada? Quer dizer, segundo entendi até agora, vocês estavam presas no elevador da empresa e a qualquer momento alguém podia abrir as portas e apanhar-vos nesse cenário!
– Medo? Eu já não queria saber de nada, sentir aqueles lábios húmidos e carnudos percorrerem o meu corpo semi-despido, deixou-me cega de desejo e deturpou completamente o meu discernimento. Medo foi a última coisa que senti… Para além de que o risco de sermos apanhadas a qualquer momento, aumentou os níveis de excitação… – respondeu ela em tom provocador.

Os relatos de experiências sexuais alheias são sempre curiosos e empolgantes, ainda mais sendo a Maria a contá-los, não fosse esta mulher a personagem principal dos meus desejos mais íntimos e lascivos…

– Uau… Nunca imaginei que também gostasses  de estar com mulheres…

Menti, já a tinha imaginado comigo e com outra mulher, mas contive-me e não lhe disse.

– Há muito que não sabes sobre mim… Sou viciada em prazer, seja qual for o género!

Ouvi-la falar daquela forma e a descrever pormenorizadamente aquela experiência, estava a deixar-me fora de mim.
Senti-me como que embriagado de luxúria, todo o meu corpo tremia.
A ânsia de poder sentir o sabor daquela boca, a suavidade daquela pele e o calor daquele corpo, era incontrolável.
Ela percebeu o meu estado.
Ganhei coragem:
– Sabes, essa tua história está-me a deixar excitado.. Já só consigo imaginar-me contigo e com essa tua amiga…! Pena não haver um elevador por perto! – disse eu, com um sorriso malicioso estampado na cara…

– Ah é? – respondeu retribuindo o mesmo sorriso – que não seja por isso! Confesso que relembrar esta história também me deixou excitada… Tanto, que me está a apetecer pegar em ti, arrastar-te até ao quarto e deixar-te possuir-me até que se nos esgotem as energias! Aliás, estamos sozinhos, não precisamos do quarto para nada!
– Não precisas dizer mais! – respondi, beijando-a intensamente logo de seguida.

Era real.
A minha sofreguidão pela deusa Maria, finalmente concretizou-se!

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Simão Mendes

Terráqueo abstracto que todos os dias procura descobrir-se e a quem o riso é indispensável. Vive despreocupadamente. Viciado em pizza, aprecia o café a 3/4 e sonha ir ao espaço.

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