A noite de sexta -feira no Laurus Nobilis Music começou com uma dose metaleira de More Than a Thousand e de RAMP, géneros e estilos que andavam distantes da minha lista de concertos há já algum tempo e eventualmente por isso tenham soado bem as algumas boas descargas de hard & heavy, onde se salienta a grande competência rockeira dos RAMP. Não cheguei a tempo de ver os  Éden.

Mas estava ali para ver e ouvir Mão Morta
Vi vários concertos da banda nos últimos 20 anos, tenho certamente outros que não este na memória como míticas e/ou épicas actuações, o que não foi o caso, só que mais uma vez conseguiram surpreender positivamente… Sendo que notoriamente não agradou a todos os presentes, nem sequer a alguns fãs da banda.
Estava preparado para ouvir em concerto o ultimo álbum de originais, algo que ainda não tinha acontecido… no final da primeira música Adolfo Luxuria Canibal fez questão de dizer – “estamos aqui para tocar o último álbum!” – o que apenas confirmava as minhas expectativas. No entanto o primeiro intervalo entre músicas prolongou-se enquanto Adolfo palreava uma assumida dificuldade momentânea do material, até que do público se ouviu – “O QUE É QUE ISSO INTERESSA?!” – e Adolfo respondeu afirmativamente, anuindo à expressão por si repetida em “Tu Disseste”… tendo a banda começado a tocar quase imediatamente o tema, partindo para um concerto de psicadelismo – progressivo mórbido e intenso. Em “Destilo Ódio” com Adolfo completamente teatral, preparou o público para o que se avizinhava, um concerto cheio de velhos clássicos que já não ouvia em palco há algum tempo, temas como “Arrastando o seu Cadáver” e “Véus Caídos” transportaram o surpreendido público para viagens à boleia dos Mão Morta.
Terminaram com temas de sempre, “1º de Novembro” e “o nosso querido”  – Adolfo dixit – “Anarquista Duval”, numa espécie de um best-off que a banda de Braga foi ali, pertinho, ao Louro – VN Famalicão, proporcionar aos fãs.
Foi mais um cerimonial carregado de “manchas a alastrar” do que um concerto rock.

Um palavra final para a organização do festival que proporcionou condições materiais excepcionais às bandas e consequentemente ao público presente, nomeadamente o palco, o som e luzes de 1ª divisão. Algo que não deixou de surpreender positivamente nesta primeira edição do Laurus Nobilis Music.

 

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Francisco Barros

- Realizador e locutor radiofónico nos 90´s com "Rockodromo" & Outros
- Proprietário da extinta "Crash-Discos".
- Vocalista em "Model".
- Passador de música e performer em "Robotic Sessions".
- Musico experimental & Ocasional
- Colaborador e Ex-colaborador em diversas publicações nacionais e locais.

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