No final de 2016 tive oportunidade de ouvir em concerto um pouco daquilo que seria o novo trabalho dos Lyzzärd e a minha surpresa foi evidente, os “putos” estão a dar-lhe muito forte no rock. Sou obrigado a escrever duas notas: A 1ª é que conheço a banda basicamente desde os seus primeiros concertos e que nutro um carinho especial pela evolução do projecto; a 2ª nota é que estou longe de ser um fã do hard & heavy. Dito isto e esquecendo as duas contraditórias notas, o nível que apresentam ao vivo já os coloca num patamar de qualidade acima das minhas suspeitas. Tendo conhecimento do seu recente lançamento senti que tinha chegado o momento de os conhecer um pouco melhor:

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Lyzzärd

– Novo disco de Lyzzärd – Savage – lançado no 1º dia deste ano. Foi o disco que esperavam?
Margarida – Sim, Savage é o álbum que esperávamos para nos apresentarmos de forma mais madura e apurada. Do álbum fazem parte músicas já existentes e outras criadas propositadamente para fazerem sentido nesta narrativa que, ao longo de meses, foi composta e recomposta cuidadosamente. Por isso conseguimos atingir os objectivos que tínhamos traçado. A nível de produção também achamos que está um excelente trabalho, avaliando o panorama actual. Foi um trabalho bem conseguido, assim o dizemos nós e a crítica.

– A que se referem especificamente quando mencionam o “panorama actual”?
Tim – Referimos-nos a todas as bandas que surgiram nesta nova grande onda de Heavy Metal que tem vindo a aumentar. Onda esta que atinge ainda géneros como o Thrash e o Speed Metal. Desta forma a produção do álbum foi feita para se enquadrar completamente dentro do estilo, seguindo todas as suas influências tradicionais, que sempre nos seguiram.

– Mencionam a “nova grande onda de Heavy Metal”. No início dos 90´s havia já quem fizesse o funeral ao Heavy, depois no início do século voltaram a anunciar o seu desaparecimento, assim como do Trash por exemplo. Sentem que o movimento está mais forte novamente? E o que é que isso vós dá de positivo e/ou negativo?
Margarida – Bem, citando o Dio:”Metal Will Never Die! Essa ideia que o Heavy ou o Thrash acabam não é de todo real para nós. Estes estilos não morreram em prol de outros que emergiram nos 90’s, mantiveram-se manifestando-se mais ou menos. A música sempre fez parte de nichos e os amantes desses estilos não os deixam desvanecer. Em relação aos tempos de hoje, sentimos que para além de muitas bandas old school de Rock/Heavy e Thrash estarem ainda a fazer tours, tentam cada vez mais adiar o afastamento dos palcos! O facto do movimento estar forte é extremamente positivo… Esta vaga de novas bandas que têm vindo a surgir não só nos inspiram como nos fazem acreditar que isto é possível!

Lyzzärd

Lyzzärd

– O que influência os Lyzzärd?
Tim – Para mim, para além de ser influenciado pelo ambiente que se cria quando estamos quer em banda quer com as pessoas que apreciam o género, sou fortemente influenciado pelo crescente gosto de criar e conseguir ir cada vez mais longe com isso. Para além de ser influenciado pelas bandas que ouço, e para além do gosto pelo género em si, não há nada que mais me incentive a criar do que a possibilidade de subir a um palco e viver essa noite como se fosse a última.
Margarida – Na música sinto-me influenciada por uma série de bandas dos 80’s mas também por projectos que têm surgido nos últimos anos. Admiro as composições desinibidas mas principalmente a vontade de vencer no mundo da música e a presença contagiante que partilham com os fãs. É importante para mim descobrir, acompanhar e apoiar estes novos projectos…e 2016 foi um bom ano. No geral, sou inspirada pelo mundo envolvente; política ou politiquices, religião, artes, etc.
David Paiva – O que me influencia vai um pouco ao encontro do que o Tim disse relativamente ao ambiente, principalmente o fantástico ambiente que se cria em dia de concerto. Para além disso sou muito influenciado pela evolução da banda, noto que cada vez que subimos ao palco melhoramos a nossa performance, e com a evolução de cada elemento a nível de técnicas, velocidade, destreza e criatividade.
Ted – Dentro do ambiente de banda, a amizade e a confiança são os pilares mais fortes que tentamos manter. Isso reflecte-se musicalmente. Sinto uma constante troca de conhecimentos, de partilha… entre nós…. de bandas ou músicas isoladas, que acabam por nos ligar mais e tornar mais coesa a parte musical.
Tenho algumas bandas de eleição que não são sequer da minha geração. Mas tenho tentado seguir algumas mais recentes que fazem trabalhos excepcionais. Estas poderão mostrar um pouco como enfrentar o mercado lotado dos nossos dias, assim como sobreviver à efemeridade padecida pela música.
Ricardo – No meu caso, tudo acaba por certa forma me influenciar na parte musical. Como me sinto quando estou a compor, as músicas que andei a ouvir naquela semana, o ambiente que se forma quando estamos todos motivados a criar, etc…  Gosto de me deixar influenciar por pessoas apaixonadas pela música, pessoas que realmente se dedicam e que dão o seu máximo para vingar no mundo da música.

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Lyzzärd

– O que contribui mais para aquilo que são os Lyzzärd? Essa mescla de influencias, os ensaios, ou é no palco que tudo acaba por ficar definido?
Ricardo – Acho que tudo tem a sua importância, mas maior parte do trabalho é feito no backstage, é lá onde reside a parte mais importante da banda, na minha opinião. Só investindo muito tempo, dedicação e trabalho a fermentar as músicas em ensaio, é que podes meter a cereja no topo do bolo nos palcos.
Tim – Acho que nesta aqui estamos todos de acordo, não há grande coisa a acrescentar. Estou de acordo com o Ricardo, a nível musical acabamos todos por beber da mesma fonte, e juntos criamos em ensaio e por vezes fora dele, aquilo que são os Lyzzard em palco.

– Estabeleceram objectivos concretos enquanto projecto musical, ou não pensam muito nisso?
Tim – Penso que nunca estabelecemos nenhuma meta em concreto. Fazemos o que gostamos e iremos sempre até onde a nossa música nos levar, reunindo cada vez mais e mais headbangers para a nossa metalzone.
Margarida – Acho que vamos estabelecendo pequenas metas ao criar deadlines para criação de algum trabalho e é por isso que vamos conseguindo crescer. Sem objectivos claros, a nível de lançamentos, não nos seria possível avançar, porque quer na música quer no meu trabalho, nunca nenhum projecto se dá por terminado por achar que está on point, há sempre mais que pode ser feito, quer seja acrescentar, retirar, alterar, limpar, etc… é o prazo que o limita, mesmo que este seja flexível tem de existir.

– O que é Irreversível?
Margarida – Estás a ver quando achas que é mesmo boa ideia serigrafar um trabalho final do qual tens apenas um exemplar e não fazes teste nenhum e corre super mal? É irreversível! … agora vou ali chorar para um canto à espera de um milagre…
Tim – É aquela dor de cabeça que aparece de manhã depois de uma noite como a do Festim da Cadela! E penso…fuck isto é irreversível!
Ted – Uma nota ao lado num concerto. Várias notas ao lado num concerto. Um concerto ao lado num concerto. Isso é irreversível!
Ricardo – Tás a ver quando comes cenas picantes e depois vais à casa de banho fazer o serviço? Aquele ardor é que é irreversível.
David Paiva – Quando um dia antes do concerto não estás preparado física e psicologicamente, e ficas a pensar: “Foda-se, não vou conseguir tocar as músicas”. Isso é uma sensação horrivelmente má. E a situação é irreversível. Mas o concerto acaba sempre por correr bem, pois é só a mente a pregar uma partida.

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Francisco Barros

- Realizador e locutor radiofónico nos 90´s com "Rockodromo" & Outros
- Proprietário da extinta "Crash-Discos".
- Vocalista em "Model".
- Passador de música e performer em "Robotic Sessions".
- Musico experimental & Ocasional
- Colaborador e Ex-colaborador em diversas publicações nacionais e locais.

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