As únicas fronteiras físicas
Que me são possíveis deslumbrar são o mar e o céu
E mesmo essas facilmente transponíveis
Todas as linhas imaginárias
Muros concretos
Arame farpado e vergonhoso
São me impossíveis de reconhecer
Porque foram emanados da vil vontade humana
Da manipulação secular dos territórios e das mentes
Dos interesses quiméricos
Dessa parte privilegiada da humanidade
Totalmente alheia ao que realmente acontece
Ora eu não posso reconhecer tais devaneios
Essas afrontas ao mais senso comum
As únicas fronteiras que reconheço são as tuas e as minhas
Nas quais testamos os nossos limites
Transbordados pelo prazer
Com o infinito respeito de um pelo outro
Nessas nossas linhas desenhadas, desejadas
Com o suor criado da noite
Nos beijos traçados pela chuva
Na loucura das nossas línguas
De me deleitar e perder
No teu mar de prazer
De esvoaçar no teu cabelo
Esse céu interminável de seda
Na tua pele doce de sabor
A exalar o perfume da tua meda
Duma qualquer flor
O brotar no teu jardim suspenso e orgástico
Do qual eu procuro beber
Num acto louco e estremecido
Serão apenas fronteiras
As que delineamos na escuridão
Os voos matinais por entre a folhagem
Nas cores mágicas do Outono
Perdidos nas nuvens carregadas da paixão
E repousar nos galhos ternos e frágeis
Dos nossos abraços.tumblr_lflvwmh6nw1qbtjl9o1_500_large

 

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Miguel Pedro Carvalhais

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