Há muito que desejava conhecer o Omã. Depois de sucessivos adiamentos pelas mais variadas razões, finalmente aconteceu! Da hospitalidade do Médio Oriente ao deserto que se banha no mar, esta foi uma viagem feita de um sorriso só!

De Omã quase nada sabia. Sabia, por exemplo, que até aos anos 70 do século XX era um dos países mais fechados do mundo e ainda governado (ou desgovernado) de modo tribal. Sabia, que a partir desse momento, deu-se o milagre do petróleo e tudo foi mudando. Sabia também, depois de ver um documentário, que não me faltariam paisagens de montanha, castelos, praia, desertos e oásis. Acontece que actualmente, além de natureza, nas minhas viagens “alimento-me” de povo, alma e cultura. Será que o Omã teria isso tudo para me oferecer?

Omã © Francisco Agostinho

O país revelou-se-me durante o mês de Março. Estava calor. A temperatura rondou sempre os 28/29º graus. Convivo bem com tempo quente. Em casa!

Saio do avião em Mascate, a capital, estende-se ao longo de dezenas de quilómetros com grandes estradas e edifícios grandiosos de estilo árabe moderno. Lá estão os tostõezinhos do petróleo! É uma constante no sultanato e não só na capital.

Omã é, assim, o que nós quisermos. Nada se impõe.
Montanhas e mar de deixar qualquer um de boca aberta, não faltam. Desde a famosa “Noruega das Arábias”, com as suas escarpas rochosas a cair abruptamente no mar na península de Musandam até ao Jebel Shams, o segundo maior canyon do mundo, que nos proporciona idílicas caminhadas. Wadis e oásis com água tão cristalina que nos fazem agradecer à mãe natureza a sua existência. Ou então os castelos e fortes. Ali estão eles no meio da imensidão de vales e palmeirais, fazendo-nos recuar no tempo e imaginar tantas lutas aqui travadas entre as várias tribos que habitavam a região. E depois existe Sur. Essa pequena cidade costeira do Omã, que foi um dos pontos altos da viagem. Tanta foi a rendição, que me apeteceu agarrar em toda a povoação, coloca-la no bolso, e trazê-la para casa! Uma curiosidade que talvez desconheçam, é que a cidade, estando próxima de um deserto, beija ao mesmo tempo o mar, proporcionando uma noite que nos dá um espectáculo de estrelas maior do que aquele que pensávamos existir. E como banda sonora deste filme, as ondas a romper na praia. Não posso pedir mais!

Omã – © Francisco Agostinho

De paisagem estamos arrumados! E o povo? A sua alma?

Em Omã não é tão fácil o contacto humano como em países como o Irão, Marrocos ou o sudeste asiático por exemplo. Não porque não o desejem ou não sejam simpáticos ou hospitaleiros, mas simplesmente porque vivem muito menos a rua. Estão mais ocupados a desfrutar das suas novas comodidades. Com a descoberta do petróleo, rapidamente o povo, com a ajuda do governo, começou a abandonar as suas velhas e tradicionais casas e a escolher novas habitações, com o máximo conforto possível.

Omã – © Francisco Agostinho

Pelo país inteiro, é possível visitar dezenas de aldeias em adobe completamente abandonadas, perecendo ao lado das novas. Apesar de me custar, chego a perceber. Talvez no futuro venham a ser reaproveitadas com um boom de turismo. Assim espero. Havendo possibilidade, as pessoas, na minha opinião, sempre acabam por optar pelo conforto. Custa-me, enquanto viajante, já que não é tão interessante, mas é a transformação da história e cabe-nos aceitar. Seria egoísta se assim não pensasse.

Rapidamente percebi isso no Omã e questionei-me durante os primeiros dias. Será que o país deixou de ser autêntico? Será que deixou de ter alma? Questionei-me apenas e não tratei imediatamente de fazer juízos de valor. Fiz bem. Se o fizesse, não teria por certo a possibilidade de conhecer das pessoas mais hospitaleiras que conheci até hoje, enquanto em viagem. Tudo começou numa simples loja de telemóveis em que todos os funcionários, homens e mulheres me apaparicaram como se fosse conhecido há anos, quando o que eu queria, era somente um pouquinho de wifi para poder comunicar com a família! A partir daí, foi desde passeios na praia, a almoços em família, chegando mesmo a pagarem-me a noite num hotel. Isto diz muito de um povo e de uma forma de estar! O acesso pode ser mais difícil, sim, mas eu tratei de o tentar encontrar. Dei parte de mim ao país e fui correspondido!

Omã é, assim, o que nós quisermos. Nada se impõe. Aceitá-lo, tal como se nos apresenta, faz com que a nossa viagem seja mais prazerosa e faz-nos, obrigatoriamente, mais felizes!

Omã © Francisco Agostinho

Texto: Francisco Agostinho.
Fotografia de capa © Francisco Agostinho

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