O concerto na Casa da Música foi tudo aquilo que se esperava e mais alguma coisa. Os Kraftwerk brindaram o público com um espectáculo com cerca de 2h15m de estéticas sonoras e visuais. Mostraram o passado, o presente, e como habitualmente, e mais importante, o futuro.

foto: Irreversível

foto: Irreversível

É inegável a capacidade da banda em mostrar caminhos sonoros e filosóficos, por ai não surpreendeu, mas não estava à espera que o assumissem com tamanha simplicidade, e ao mesmo tempo, com tamanha desfaçatez.
É-me difícil escrever uma crónica isenta, os Kraftwerk fazem parte de um grupo restrito de coisas que valorizo extraordinariamente, fiquei emocionado, genuinamente emocionado, ao som de “Spacelab”, “Das Model”, e de “Trans-Europe Express” com “Metal-on-Metal” pelo meio, todo o conceito “industrial” chapado a quem pudesse ainda ter alguma dúvida desse caminho. Mais, eles deram-se ao trabalho de o escrever com todas as letras na projecção 3D.
Entretanto um ovni pairava sobre as nossas cabeças e sobre a Casa da Música. Um doce.

Fomos de “Autobahn” até ao “Tour de France” e foi por aqui que os Kraftwerk demonstraram que são muito mais do que aquilo que aparentam, que nada é tão simples como se possa inicialmente avaliar, que uma avaliação simplista daquilo que a banda mostra é um erro crasso. As engrenagens e as ultrapassagens são poesia e filosofia. As batidas são como o correr de um rio que não para e acaba sempre, mas sempre, no mar.
O clímax aconteceu com “The Robots “, onde mais uma vez, se dúvidas também aqui existissem, a banda assume as convicções, “somos robots”, “somos todos robots”. Electrónicos, Industriais, Minimalistas, Conceptuais, e Filosóficos, os Kraftwerk foram e são os profetas da modernidade de e para século XXI.

foto: Irreversível

foto: Irreversível

Ouvimos Kraftwerk em Chemical Brothers, Goldfrapp, Prodigy, Erol Alkan, Amon Tobim, Bonaparte, Air, Daft Punk, NIN, ou Death in Vegas, vemos Kraftwerk em David Cronenberg ou David Fincher. E vamos continuar a ver e ouvir Kraftwerk em gerações futuras, pois a genialidade está ali à espera de ser encontrada pelos vindouros.
Com o final do concerto, fiquei atónito, qual homem apaixonado que viu o seu amor partir. Restou-me deambular pelas imediações da Casa da Música, por entre breves trocas de palavras com conhecidos e desconhecidos, comprar um poster da tour que um inglês por ali vendia a 3€ cada, e ter o prazer de me cruzar com os 4 cavaleiros por breves instantes enquanto eles trocavam o lugar do espectáculo por uma fuga rápida para a realidade. Tinha tanto para falar com eles…

Nota: Peço desculpa pela fraca qualidade das fotos, talvez com óculos 3D se vejam melhor…

 

 

Comentários



Francisco Barros

- Realizador e locutor radiofónico nos 90´s com "Rockodromo" & Outros
- Proprietário da extinta "Crash-Discos".
- Vocalista em "Model".
- Passador de música e performer em "Robotic Sessions".
- Musico experimental & Ocasional
- Colaborador e Ex-colaborador em diversas publicações nacionais e locais.

Publicação Anterior

Rui Taipa - O Novo Cantautor Lusitano

Proxima Publicação

Estações