A equipa Irreversível saiu da Praça da República – Coimbra ao mesmo tempo que o KamaBus, autocarro a fazer o transporte gratuito dos festivaleiros até São Silvestre.
Perdendo-se o KamaBus e sem saber o local exacto do festival, estivemos semi-perdidos na zona habitacional da sede da pequena freguesia de Coimbra. A paragem num café facilmente resolveu a questão… à portuguesa.
Chegados então ao recinto, decorria já o concerto de abertura dos dois dias de festival, do one-man BØDE.

Para pouca gente ainda, este artista criou uma densa e pesada atmosfera com notas envolventes e que, por vezes, lembram Black Sabbath numa vertente mais psicadélica e stoner. O sludge e o doom também vão estando presentes, numa simbiose perfeita de géneros.
A propositada baixa iluminação foi o toque final a emoldurar toda a actuação. Para uma pessoa só, pareceu uma actuação com a força de muitas mais. Um projecto recente que merece claramente ser acompanhado.

Sendo um micro-festival, o (bastante imponente) palco é único pelo que todos os concertos foram intervalados. E em boa hora. Logo neste primeiro intervalo, ficámos a conhecer um pouco mais do espaço que lembra um parque de merendas em zonas dos arrozais. A humidade é uma presença agradável… excepto se o calçado for demasiado fino. Um reparo que, a nível pessoal, não foi esquecido no dia seguinte. E em boa hora surgiu esta pausa. Com a opção ecológica de copo de alumínio (reutilizável, claro está), foi a altura de o adquirir bem como a primeira cerveja.

Chegava a altura dos The Year subirem a palco e fizeram-no logo com uma entrada explosiva. Este quinteto pombalense teve os seus tons de vários sub-géneros de metal (do trash ao hardcore) intervalados com bastantes flashes impróprios a epilépticos visuais.
São um bando de jovens com muita energia que conseguiram conquistar a mata para si, mesmo para os duvidosos que estranharam ao início os regulares e intensos breakdowns.
A meio da sua actuação, com o tema “OMOTENASHI”, ficamos a conhecer uma vertente da banda mais elaborada com uma linha de baixo muito apelativa. A palavra japonesa significa “hospitalidade” e certamente que foi a com menor hostilidade da actuação.
O hardcore puro e duro voltou pouco depois (mas sem parecer uma transição incoerente) com “Suck my Teeth” que tornou mesmo impossível não bater pé e abanar cabeça ao ritmo dos delays da faixa.
Após uns problemas técnicos que deram aso a interacção com o público e piadas comparativas com Korn, 5 minutos foram suficientes para a agressividade ainda maior com “Fuzz Damage”.
E uma surpresa bastante inesperada surgiu logo a seguir com um gentil toque no travão dos BPM para aquela que foi o penúltimo tema apresentado. Uma cover a “Real Life” de The Weeknd.

O 3º concerto da noite ficou a cargo dos Ghost Hunt, banda que a Irreversível já tinha visitado no Reverence 2015.
Com um espetáculo de luzes de cores fortes, a audiência -entretanto, um pouco maior-  ficou completamente envolvida na simbiose entre sintetizadores e cordas que este duo nos dá. Com Pedro Chau, figura já conhecida do círculo do rock conimbricense, no baixo; outro Pedro, Oliveira, dedica-se mais às máquinas (mas também nos dá guitarra ao vivo). Ora aproximando-se mais do pop melódico, ora de sonoridades mais industriais, mas sempre dançável. A corpo inteiro.
Assemelhando-se a Kraftwerk dos tempos modernos, a mata do Kamalhão que vinha essencialmente à espera de rock/metal puro e duro; deixou-se cativar pelo suave embraça deste duo que terminou a sua actuação com uma tema de acrescidos BPM (numa toada mais techno) e flashes luminosos.
Ainda com poucos temas na bagagem, este é um projecto ainda em fase embrião mas que já consegue não ficar a dever nada a ninguém em qualquer palco que pise.

Depois do antigo Tédio Boy (A banda referência da cidade) Pedro Chau, foi a vez de outro antigo membro do extinto projecto subir a palco. Desta vez Toni Fortuna a liderar os seus d3ö na voz e guitarra. A completar o trio estão Tó Rui (segunda voz) e guitarra, com Miguel Benedito na percussão. Um projecto já com mais de uma década e feito por experientes músicos que conseguem fazer com que nem se sinta ausência do baixo, com um rock and roll “siga para a frente” que lembra bastante o movimento new wave nova-iorquino dos 70s e 80s.
Uma sonoridade simultaneamente clássica e moderna está sempre patente nas suas faixas. “Push The Button” uma suposta nova faixa erigida em Santa Comba Dão (a Irreversível não percebeu se isto era ou não uma piada salazarista) esquentou a mata de São Silvestre, que entretanto tinha recebido uma brisa demasiado fresca.
“Got no Money” continuou esta senda com uma cativante progressão até um break a meio da mesma, terminando em crescendo… Com a actuação a continuar a bom ritmo, Toni Fortuna e a sua deslumbrante guitarra brilhante de tons negros dourados, a dar espaço aos outros membros de deixar fortemente a sua marca.

Seguiram-se DJs, The Last Gang in Town e Elite Atlethe (produtor da casa que já tem lançamentos por labels estrangeiras) que prolongaram a festa do dia 1 até ao amanhecer.

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Cláudio Valério

Coimbrinha mais novo que o fantasma do Kurt Cobain. Estuda ciência, mas vai passar a estudar letras. Fã nº1 do Lidl.

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