Quando nos tempos idos comecei a meter música, isto lá em 1991 ou coisa assim (com 14/15 anos de idade), primeiro em rádios piratas e depois em estabelecimentos de diversão nocturna, penso que apenas era convidado porque tinha música. Porque já comprava música e tinha uma já interessante colecção de discos. Esta introdução serve apenas para uma contextualização temporal, e se quiserem pessoal, mas nada mais.

Nesses tempos, e arrasto isto até aos primeiros anos do sec.XXI, nunca tive um cartaz a anunciar a minha presença, raramente ganhei cachet a não ser os copos ou a entrada para o concerto, nem nunca me identifiquei como Dj. Dj era outra coisa… Dj era aquele que sincronizava as batidas, que fazia passagens… eu nunca quis isso… só queria mostrar música e os públicos na sua generalidade queriam conhecer música. Hoje em dia não é assim e já lá vamos…

O advento da internet e dos downloads permitiu que qualquer pessoa tivesse acesso à musica. Algo que por principio é maravilhoso, mas teve também o efeito nefasto de tornar qualquer merda Dj.
Deixou de ser preciso procurar quem tinha música para passar. Qualquer um, qualquer espaço/pessoa com uma ligação à internet e duas janelas abertas no youtube é Dj.
Pasme-se, até cartazes a anunciar o neo-dj se começaram a ver por todo lado…

Até não seria completamente mau… mas foi… e existem razões concretas que posso apontar:
– Toda a gente a passar as mesmas músicas.
– A falta de qualidade do som.
– Toda a gente a passar as mesmas músicas.
– A falta de qualidade mínima na execução da tarefa.
– Toda a gente a passar as mesmas músicas.
– A banalização da função.

Recordo com alguma saudade quando saía de casa para ir a um bar ouvir musica, conhecer música, agarrar-me ao Kitten a voar por cima dos pratos e dos decks a perguntar: “Que música é esta caralho?!?!” Recordo com alguma saudade os tempos em que eu passava música completamente descomprometido, quase só com o objectivo de dar a conhecer música enquanto entretinha o pessoal… hoje em dia o pessoal está menos disponível para isso, hoje em dia é muito mais difícil de acontecer, mesmo raro. Esse tempo acabou. É tudo muito fotocopias de uma fotocopia. Quase sempre mal tiradas. Chegou o meu tempo de deixar novamente de passar música. Não quero que me confundam.

To_be_continued

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Francisco Barros

- Realizador e locutor radiofónico nos 90´s com "Rockodromo" & Outros
- Proprietário da extinta "Crash-Discos".
- Vocalista em "Model".
- Passador de música e performer em "Robotic Sessions".
- Musico experimental & Ocasional
- Colaborador e Ex-colaborador em diversas publicações nacionais e locais.

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