Foda-se, as vezes um gajo até se passa… com os pedidos para meter música…
Não censuro ou critico quem o faz, o pior é a forma. Já o fiz. Acaba por ser natural. O pessoal está animado, está feliz, e quer ouvir “aquela” música da vida deles, aquele tema que o/a vai por ainda mais feliz, como se da dose se tratasse. Percebo isso. Não percebo é como é possível uma série de coisas, a saber:
– Pedir música completamente desenquadrada com a música que estou a passar, e cito exemplos: Iron Maiden,  Kizomba, Brasileiradas, Metal extremo (que sou fan e tenho uma colecção de cds invejável), (…), azeite de forma geral, ou espanhóis a pediram bandas de metal em castelhano.
– Pedir de forma insistente e depois agressiva – “És uma merda!”  – “Vou ai e fodo-te o focinho”.
– Pedir as mesmas músicas e bandas de sempre. (que as vezes, se me apetecer, até passo, mas não foi certamente porque alguém me pediu)
– Assumir que sabem o que estão dizer.
– Conversas durante o pedido da música que passam por – “Já passei música” – “Também sou dj” – “Queremos ouvir essa música antes de ir embora” – “Pago-te um copo se passares a música” – “Arranjo-te uma linha se passares a música” – “Faço-te uma mamada se passares a música”  – “Deixa ver os teus cds”.
Nunca esteve nos meu horizontes agradar a todos. Nem sequer à maioria. Existe uma linha de som “Robotic”, e felizmente (humildemente) foi mais coisa menos coisa de certa forma reconhecida pelos bares/espaços/eventos por onde passo. Assim como pelos mais variados públicos. Mas foda-se, ter que lidar com gente que não aceita um não como resposta (sim, eu ainda respondo), lidar com gente capaz de ser ultra-chata e agressiva não estava nunca nos meus horizontes.
Um gajo vai ver o filme, se já souber o fim do filme, mesmo podendo gostar muito, a coisa já perdeu a graça. Vais ver uma sessão de stand up comedy, se já souberes as piadas…
Vejo a função de dj como “qualquer merda é dj”, por isso mesmo tentei inovar naquilo que me foi possível, e uma das coisas foi sem duvida na música, tentar também passar música que o pessoal, a maioria, não deve conhecer (sim assumo isso assim sem complexos), isto porque muitas vezes, a visitar as capelinhas, todos os passadores de música me pareciam iguais, isto porque muitas vezes ouvi a frase “passam todos a mesma merda”! Até eu passo Black Keys… e percebo que isso se tem de fazer em certos momentos, porque faz parte da função “dj” ir de encontro ao(s) publico(s), mas não faço uma noite só de hits. Por vezes até cedo a pedidos de música, porque são inteligentes e enquadrados, muitas vezes até acontece virem pedir alguma coisa que já está destinado passar, mas se querem ouvir a música da vossa vida, oiçam-na em casa, ou marquem uma data num qualquer bar e podem passar essa música várias vezes na mesma noite, eu já o fiz.
Como conclusão ilustrativa do que se passa, dou um exemplo de algo que acontece mais vezes do que seria supostamente normal – Virem pedir uma música/banda exactamente da banda que está a tocar naquele momento. As primeiras vezes pensei “é gozo”, agora sei que eles/as não conhecem a música, mas a música despertou neles(as) os sentimentos e desejos.

To_be_continued

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Francisco Barros

- Realizador e locutor radiofónico nos 90´s com "Rockodromo" & Outros
- Proprietário da extinta "Crash-Discos".
- Vocalista em "Model".
- Passador de música e performer em "Robotic Sessions".
- Musico experimental & Ocasional
- Colaborador e Ex-colaborador em diversas publicações nacionais e locais.

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