Os Killimanjaro andam a galopar palcos dentro e fora das fronteiras nacionais. Depois de passarem o mês de Abril em tour por essa Europa, com 19 datas em conjunto com os Stone Dead, voltam a pular a cerca já no dia 18 de Maio, para mais 4 concertos:

18/05 – Rockbeer The New – Santander, ES
19/05 – La Scène Michelet – Nantes, FR
20/05 – Plufest – Nijmegen, NL
22/05 – Le Circus – Capbreton, FR

(…) Aproveitei um encontro fortuito, no concerto de abertura da tour dos 10 000 Russos @ Café au Lait – Porto, para perguntar ao José Roberto Gomes (Guitarra & Voz @ Killimanjaro):
– “Para quando uma entrevista à Irreversível?”
– “Quando quiseres…!”

José Roberto Gomes – Killimanjaro

– De 2011 até às tours europeias em 2017, foi como passar da planície até ao topo do vulcão ou ainda estão a escalar o Kilimanjaro?
– É uma escalada bem grande. Já sentimos bastante o calor do vulcão, mas sentimos-nos ainda longe do topo, ainda que o consigamos avistar.

O objectivo é ser cada vez mais intenso e incendiário.
– Nos vossos concertos senti o Kilimanjaro activo… aliás, foram emitidas bastantes partículas e magmas sonoros. A energia que permanece guardada na base de Killimanjaro é para continuar a ser expelida na mesma dosagem?
– Sempre fomos uma banda orientada para tocar ao vivo. A maneira como compomos, a direcção que damos às canções é sempre orientada para o momento do concerto… E procuramos que seja tão intenso para nós como para quem nos vê. Se esta energia é para continuar a ser expelida na mesma dosagem? O objectivo é ser cada vez mais intenso e incendiário.

– Os muitos e diversificados palcos tem moldado o vosso som? Ou, mesmo que “orientada para o momento do concerto”, a sala de ensaios continua a ser a principal fonte?
– Não propriamente os palcos, mas o momento que acontece entre nós e o público. Na sala de ensaio conseguimos especular ou ajustar. No palco percebemos se nos está a atingir tanto a nós como a quem está à nossa frente.

– O público tem sempre razão?
– Não. Primeiro a banda, depois o público. Mas se a banda tiver “A razão”, o público acabará por ter também.

José Roberto Gomes – Killimanjaro

– O que influência os Killimanjaro?
– No final de contas é tudo biológico. Uma série de hormonas que nos dão a sensação do prazer, sejam elas desencadeadas ao ouvir Leonard Cohen, ao tocar tudo mais rápido que no disco, ao ver o pessoal abrir a cabeça contra o nosso bombo. É isso que nos influência.

Shroud Mortalha, Manto ou Sudário?
– Mortalha. Na minha perspectiva, quando se faz música entrega-se um pouco de vida embrulhada. A mortalha representa isso mesmo; vida e morte não são diferentes quando as observamos como uma construção, um caminho, um work in progress.

– Nas viagens dos búfalos pela Europa têm encontrado bons pastos para continuar a galopar?
– A Europa é um terreno muito fértil e nas facetas mais pesadas do rock há movimentos muito interessantes. É sempre incrível perceber as dinâmicas dos públicos e cenas musicais de outros países, e sobretudo perceber que, mais longe ou mais perto, acabam por ser muito parecidas com as que temos aqui.

– O que é Irreversível?
– Um filme fantástico do Gaspar Noé, com a Monica Belucci e o Vincent Cassel… E o rock n’ roll.

Killimanjaro

Killimanjaro @ Bandcamp

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Francisco Barros

- Realizador e locutor radiofónico nos 90´s com "Rockodromo" & Outros
- Proprietário da extinta "Crash-Discos".
- Vocalista em "Model".
- Passador de música e performer em "Robotic Sessions".
- Musico experimental & Ocasional
- Colaborador e Ex-colaborador em diversas publicações nacionais e locais.

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