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Bispo – foto IMF oficial

No encantado Bosque do Choupal respirou-se um ar permanentemente saturado de ondas positivas e despretensiosas. Este é um evento que sublinha a produção indie-rock nacional, o que pode afastar algumas das tribos que apenas seguem a multidão de festival de verão em festival de verão.
Ainda bem.

Três palcos em funcionamento perfeitamente sincronizado permitiam aos melómanos não perder nenhum concerto, mas confesso que fiquei agarrado pelo ambiente e envolvência do palco Cisma. Sendo um palco secundário, onde actuariam os nomes menos conhecidos, este local parecia transmitir um qualquer magnetismo e foi por aqui que se assistiu a alguns dos melhores concertos e surpresas ao longo dos três dias.
Os Bispo foram os responsáveis pelo primeiro bom momento do festival, o seu psy-kraut-computer-pop-rock agarrou os ouvidos mais desatentos e levam o prémio Irreversível para surpresa do IMF 2015.
Ainda na quinta-feira mas no palco Portugal 3.0 – apadrinhado por Álvaro Costa e pela Antena 3 – os Plus Ultra descarregaram energia a rodos para todos. Muita simplicidade, mas muita criatividade e pujança nas composições, colocaram o bosque encantado em completo desassossego e foram o grande destaque do 1º dia.

Plus Ultra -  foto IMF oficial

Plus Ultra – foto IMF oficial

Não foi possível ao Irreversível estar presente na sexta-feira, dia da abertura do palco principal, mas deixamos espiões infiltrados no bosque que relataram bons concertos por parte dos Astrodome no palco Cisma, de Malcontent no palco Portugal 3.0 e de Brass Wires Orchestra no palco #IMF.

The Sunflowers - foto IMF oficial

The Sunflowers – foto IMF oficial

De regresso no Sábado voltamos a ficar hipnotizados pelo magnetismo natural do palco Cisma. Era por ali que se mantinha o rock mais descomprometido e mais carregado de modernidade.
O duo The Sunflowers foram os primeiros do dia a conquistar a atenção de festivaleiros e de não festivaleiros, riffs e mais riffs, tarola e mais tarola, feedbacks e mais feedbacks, colocaram o pessoal em sentido e interromperam as conversas de final de jantar com um surf-garage-punk-rock bastante próprio.
Outra boa surpresa, ainda no palco Cisma, foram os Big Red Panda que debitaram um stoner-rock nacional que tanto motivava muitos olhos fechados a viajar, como impunha muito moche e poeira no ar. Com algum pragmatismo percebe-se que ainda estão, ou podem estar, numa curva evolutiva do seu som, que ainda precisa de amadurecer para ser correctamente colhido, mas estão nitidamente num bom caminho.

O espírito descomprometido do festival tomava conta da turba indie e as atenções viravam-se para o palco principal com a actuação dos Linda Martini. Mais uma vez comprovaram o porquê de serem uma das bandas favoritas de algumas franjas indies nacionais e conquistaram por completo o público. Foram (sim, seria expectável) o grande momento do IMF 2015.

Entretanto abria a Fabrica Electronica para as aguardadas actuações vinílicas de CVLT e Solution… que acabaram (aparentemente) em formato dupla e onde se dançou até ao nascer do dia na Indielandia.

foto IMF oficial

foto IMF oficial

Descomplexado, simples, carregado de boas energias e de magnetismos, o Indie Music Fest é um exemplo do paradigma que nos diz que muitas vezes menos é mais.  O assumidamente micro-festival é “ainda um segredo muito bem guardado“…

Não posso terminar sem agradecer ao Miguel Bessa e a organização por toda a disponibilidade, e ao Álvaro Costa pelo roubo do titulo deste post.
Até para o ano!

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Francisco Barros

- Realizador e locutor radiofónico nos 90´s com "Rockodromo" & Outros
- Proprietário da extinta "Crash-Discos".
- Vocalista em "Model".
- Passador de música e performer em "Robotic Sessions".
- Musico experimental & Ocasional
- Colaborador e Ex-colaborador em diversas publicações nacionais e locais.

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