Volvidos alguns dias após o polémico Domingo em que o jogo entre o Vitória e o Benfica e os festejos do bicampeonato conquistado pelos encarnados deixaram para trás um rasto de destruição e vandalismo, com alguns adeptos do clube da Luz a assaltar o depósito de material do Vitória, a agredir funcionários do clube, a causar inúmeros prejuízos materiais orçados em algumas dezenas de milhares de euros e, ironia das ironias, a envolver-se em momentos de pancadaria com outros adeptos do seu clube durante os festejos no Marquês, ainda corre muita tinta na imprensa nacional e internacional sobre o momento de violência policial protagonizado por um agente da PSP que agrediu, de forma totalmente desproporcional e gratuita, um adepto do Benfica, mesmo em frente aos filhos da vítima. Valeu um agente no local que teve o bom senso de retirar uma das crianças deste cenário infernal.11257722_10152972863662881_1658671992_n

Se é óbvio que o acima descrito se reveste de uma gravidade sem paralelo, não é menos verdade que a existência de delinquentes e criminosos entre as claques dos principais emblemas nacionais não é novidade para ninguém. Da tragédia do Jamor aos constantes apedrejamentos nas imediações dos estádios dos três grandes, a violência no futebol parece institucionalizada sem que medidas musculadas sejam tomadas. Já um polícia que agride um civil com a brutalidade e a leviandade que se verificou no final do jogo do título é monstruoso. As imagens falam por si e parecem vindas de um qualquer país terceiro-mundista.

imagem: The 3 Monkeys por DSSiege11

imagem: “The 3 Monkeys” por DSSiege11

O agente, tentando desculpar o intolerável, alegou que o adepto lhe cuspiu. Vale o que vale. Pode ser mentira, pode ser verdade mas não justifica que um agente da autoridade coloque a sua ira à frente do seu dever cívico. Da mesma forma que as declarações infelizes e incendiárias do presidente da Assembleia Geral do VSC não podem, de forma alguma, ser usadas para justificar o vandalismo, por mais irresponsáveis que tenham sido. Para além de que, reagir a uma cuspidela com bastonadas e socos é uma aberração digna de estados totalitários, não de democracias. E para bem daquilo que nos resta desta democracia esgotada, seria importante que este agente fosse punido exemplarmente.

Tudo isto devia ser motivo mais que suficiente para várias reflexões. Não só no que diz respeito à questão da violência policial, que teve episódios recentes em algumas manifestações e que contrasta com a própria manifestação dos polícias em Novembro de 2013, em que manifestantes das forças da autoridade invadiram a escadaria do Parlamento perante o assobio para o lado dos agentes em serviço no local, mas também naquilo que move tantos portugueses a enveredar por comportamentos irracionais resultantes da incapacidade de viver as paixões futebolísticas de forma civilizada, a absoluta antítese da forma passiva com que toleramos um país mergulhado na corrupção e no tráfico de influências, que prejudica a todos sem excepção. Será que um dia teremos o mesmo amor a Portugal e ao nosso futuro que temos aos nossos clubes de futebol?

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João Mendes

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