Baixistas que nasceram em caldeirões de tequila, guitarristas que foram picados por escorpiões, ancorados por bateristas psy-metrônomo que permitem todos os devaneios às cordas… Uma frase que resume as actuações de Harsh Toke e Joy no Cave 45.

Joy

As bandas escolhidas para eventos organizados pela malta do Sonic Blast Moledo já não me deveriam causar nenhuma espécie de desconfiança, no entanto, mesmo sempre de mente aberta, levava algumas para o concerto de Joy, isto devido às influencias ZZ Top e Led Zeppelinianas que me soam tanto (a mofo) nas suas músicas.
No final do concerto obriguei-me a ir falar com a banda e disse-lhes ( num resumo e tradução livre) o seguinte: “Que grande concerto! Confesso que a ouvir os vossos discos nunca me empolguei muito, (…) mas vocês deram um concerto do caralho! Uma parede de som!!
Como se percebe pela minha conversa com a banda, fiquei rendido… a meio do concerto dei por mim a pensar que estávamos a assistir um concerto de 1ª linha de rock-psicadélico século XXI. O power-trio mostrou modernidades rock psicadélicas, embaladas por um poderoso, virtuoso, incansável e hipnotizante baixo; uma guitarra a cavalgar pelos temas com rédea solta, cruzando generosos riffs com viajantes solos; e uma pulsante bateria a latejar permanentemente.
Senti que estava a beber Stoner-Psy-Rock purinho, directamente de uma pipa importada de San Diego – California.

Harsh Toke

Seguiram-se os Harsh Toke que proporcionaram duas horas de concerto. Foi positivamente, e quase literalmente, um Harsh Toke musical. Uma barrigada de rock.
Escrevo esta crônica mais de 48h depois dos concertos e permanece a mesma sensação com que fiquei nos momentos imediatamente seguintes ao termino da actuação: foi um dos melhores concertos de sempre, dentro daquilo que descrevo como Stoner-Rock, que tive oportunidade de assistir em solo nacional.
A modinha do Stoner é evidente, pululam bandas e projectos apelidados de Stoner, tanta coisa que leva com o selo Stoner mas que não leva a nenhum Harsh Toke, nem sequer a uma moquinha ligeira… mas evidentemente que aqui não foi o caso.
A banda descreve-se a si própria como Acid-Rock, são apelidados recorrentemente como Heavy-Psy, mas a melhor forma (que consigo) para descrever isto por escrito, visto que eu os colo ao Stoner-Rock, é a seguinte:
– Um guitarrista que ouviu muito Slayer, Melvins, RATM, Slint, Helmet e por ai;
– Um guitarrista/vocalista que podia tocar com os Hawkwind, ou com o melhor de Primal Scream, ou ainda pelos Black Crowes se estes tivessem Harsh Tokes habituais;
– Um baixista que parece ter vivido sempre numa irredutível aldeia Stoner-Rock e que só de lá sai para debitar notas em concertos;
– Um baterista afirmativa e convenientemente robotizado, uma maquina trucidante de ritmo;
Foi um actuação fantástica, viajante e poderosa, como atestava o suor no meu corpo, o atordoamento e os ouvidos a zumbir. Fiquei fã e a fasquia para o que possa ver daqui para a frente elevou bastante.

Harsh Toke

 

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Francisco Barros

- Realizador e locutor radiofónico nos 90´s com "Rockodromo" & Outros
- Proprietário da extinta "Crash-Discos".
- Vocalista em "Model".
- Passador de música e performer em "Robotic Sessions".
- Musico experimental & Ocasional
- Colaborador e Ex-colaborador em diversas publicações nacionais e locais.

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