… Chegados junto ao Hard Club tivemos logo a primeira surpresa da noite, uma revista policial que incluía “meias e cuecas” em busca de estupefacientes. Passada esta estupefacção, entramos para ouvir os nacionais The Black Wizards que já tocavam…

Cruzei-me com os The Black Wizards um par de vezes em 2016 e desde logo simpatizei alguma coisa com a sua sonoridade psicadélica-stoner-blues (e 70´s). Independentemente da simpatia sonora não fiquei totalmente seguro da valia da banda, não que tenham dado maus concertos, simplesmente parecia que qualquer coisa não funcionava completamente em palco, talvez até pela minha embirração com parte do que se fez nos 70´s e que a banda não tem culpa nenhuma… Colocados num grande palco, com o grande som que estava no Hard Club, mostraram que o seu caminho está a ser feito com passos seguros, conquistaram a audiência, que diga-se estava nitidamente à espera do que vinha a seguir, o que valoriza mais a determinada e firme actuação dos The Black Wizards.
Passaram este teste com distinção.

Stoned Jesus

Stoned Jesus

Os Stoned Jesus granjeiam uma popularidade na comunidade undergroud de proporcionarem excelentes concertos; confesso logo aqui que conhecendo relativamente bem os trabalhos do projecto me surgiam algumas dúvidas, pois nunca considerei nenhum dos discos como excepcional, nenhum me prendeu plenamente… Mas vou começar de forma a que não fique nenhuma dúvida… Fui completamente conquistado.
O trio de Ucranianos sabe muito bem aquilo que faz, nota-se evidentemente que levam muitos kms feitos e que as actuações maturaram ao ponto da banda dominar completamente o espaço e o tempo em palco . São, numa analogia simplista, material de 1ª divisão.
Senti referencias que nos discos nunca tinha apanhado, dos Faith No More a Danzig, bastante 90´s, mas sem qualquer espécie de saudosismo na sonoridade, abundantemente stoner-desértico de paisagens completadas com tequilha e Peyote.
Numa altura em que o Stoner é como que uma modinha underground (e não só), estes Stoned Jesus distanciam-se e parece que viveram sempre no deserto, saindo apenas para ir a concertos dos Kyuss ou para subirem à montanha com os Sleep. Certamente há um deserto na Ucrania -fui pesquisar e existe mesmo :Areal de Oleshky–  e os Stoned Jesus romperam as raízes pelas areias desse inesperado deserto, andando a polinizar com música de grande nível os palcos e públicos. Deram, verdadeiramente, um competente concerto, confirmando as melhores referências.

Nota final para um Hard-Club cheio.

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Francisco Barros

- Realizador e locutor radiofónico nos 90´s com "Rockodromo" & Outros
- Proprietário da extinta "Crash-Discos".
- Vocalista em "Model".
- Passador de música e performer em "Robotic Sessions".
- Musico experimental & Ocasional
- Colaborador e Ex-colaborador em diversas publicações nacionais e locais.

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