Tem apenas 22 anos e já conta com 20 videoclipes na sua carteira profissional. Dos portugueses Destroyers Of All às maiores bandas internacionais como Noctem, Wormed ou Belphegor, Guilherme Henriques vê o seu trabalho espalhado por sete países. A Portugal, Eslovénia, Itália, Espanha, Dinamarca, França e Suécia juntam-se em breve Noruega, Alemanha e Taiwan onde o jovem realizador tem já mais cinco trabalhos em fase de pré-produção.

Guilherme Henriques começou a investir no seu nome como artista visual e realizador quando acabou a licenciatura em Comunicação Audiovisual e Multimédia na Universidade Lusófona do Porto. A procura constante de informação e conhecimentos levou-o a desenvolver imagens com uma linguagem bastante requisitada por bandas dos mais variados géneros de Metal/Rock. Em menos de um ano já viajou um pouco por todo o mundo em trabalho.

guilherme-henriques4– Como é que tudo começou?
– Bem, tudo começa mais ou menos quando acabo a minha Licenciatura em Comunicação Audiovisual e Multimédia na Universidade do Porto e, como qualquer jovem de 20 anos, por muitas ambições e sonhos que possamos ter, temos que ter os pé assentes na terra e enfrentar o mercado de trabalho e a realidade para lá dos muros da universidade, coisa que fui tentando atravessar ao longo dos três anos em que estive a estudar com vários projectos cinematográficos, artes performativas com a videoarte incorporada etc. Dentro desses mesmos projectos, um deles foi a elaboração de uma proposta visual no verão de 2014 para os Belphegor, que estavam naquele momento a lançar novo álbum, novo videoclipe e nova imagem da banda. Sonhador e talvez apenas com os dedos dos pés em terra, elaborei essa mesma proposta com um estudo de personagens, storyboard, testes de maquilhagem e algumas fotos de cenários possíveis para um novo videoclipe da banda. Claro que não me responderam (risos)! Isto acaba por cair um pouco no esquecimento e vi todo aquele trabalho que ninguém me tinha pedido como uma espécie de exercício pessoal e nada mais que isso. Voltando então a Junho de 2015, que é quando acabo o curso, cai-me um email do próprio vocalista da banda a dizer que acharam a proposta interessante e querem avançar com o projeto, porque precisam de um vídeo para promover a tour que iriam realizar nos EUA com Kataklysm. Foi mais ou menos aí que a minha vida iria mudar até hoje.

– Algum videoclipe que queiras destacar? E porquê?
– Acho que se tiver que destacar mesmo um, será este primeiro para os Belphegor. Foi a minha primeira experiência a trabalhar para um artista que sigo desde à vários anos e sabia que era aquela oportunidade em que me iria odiar para sempre se o vídeo não fosse aceite ou não estivesse ao nível de um grupo daqueles. Aquilo que se tornou no meu dia-a-dia foi, durante aqueles dois meses, noites sem dormir, comprar uns quantos blocos de notas que enchi e rabisquei com ideias até tudo soar perfeito e encaixar na minha cabeça antes de começar as rodagens e claro, trabalhei com uma excelente equipa de produção em tudo isto.

14522745_1489570031070160_4209075644333182066_n– Os teus videoclipes são todos dentro de um “género” musical, preferência pessoal ou simplesmente aconteceu assim?
– Calhou, como já repararam. Eu nunca imaginei sequer em toda a minha vida que em pleno 2016 estaria a trabalhar e a viver da música e a construir uma carreira em torno de um estilo musical que amo, o Metal. Contudo, gosto especialmente quando me chega à caixa de email um projecto diferente, dentro de outro estilo ou ideias fora daquilo em que trabalho mais habitualmente.

– Para realizar estes videoclipes tens uma equipa de trabalho que te acompanha?
– Sim, sempre. Gostava que ainda pudesse chamar mais pessoas em cada um dos projectos, mas tal nem sempre é possível. Nada disto se faz sozinho na maior parte das vezes e quando o orçamento o permite tento sempre encaixar o máximo de pessoas que considero úteis, capazes e que irão abraçar a obra com a mesma paixão com que o faço.

– Para além dos videoclipes existem ambições a outros níveis? Cinema por exemplo?
– Sim, porque não? Adoro cinema e digamos que muita da minha formação foi em cinema. Tive excelentes bases e professores na faculdade que ainda hoje me dão nem que seja “tempo de antena” para lhes expressar aquela ou outra ideia maluca que tenho e no fim dão-me o parecer deles como amigos e profissionais dentro da mesma área que eu. Mas voltando à questão, sim, tenho várias coisas que quero fazer e estou a desenvolver e amadurece-las na minha cabeça. Quando o momento chegar, avanço. Para já, sou realizador de videoclipes e amo o que faço. Passado um ano, ainda tudo parece um sonho quando olho para trás.

– O que é irreversível?
Tudo até aqui.


Podem conhecer os trabalhos do Guilherme Henriques nos links anteriores ou através do seu site oficial: Guilherme Henriques

Comentários



Francisco Barros

- Realizador e locutor radiofónico nos 90´s com "Rockodromo" & Outros
- Proprietário da extinta "Crash-Discos".
- Vocalista em "Model".
- Passador de música e performer em "Robotic Sessions".
- Musico experimental & Ocasional
- Colaborador e Ex-colaborador em diversas publicações nacionais e locais.

Publicação Anterior

Dylan "Made in China" Nobel

Proxima Publicação

BINNAR 2016