Sempre me intriguei sobre a entidade que decide quem ou o que está na moda. Imagino uma espécie de conselho de guardiões da pinta, reunidos num templo de imponentes colunas jónicas no topo de uma montanha, que decidem sobre aquilo que são as tendências do corte de cabelo do momento, do tipo de decote que as senhoras com estilo devem usar, das armações de óculos que estão a bater ou se um determinado tipo de bigode é parolo ou o último grito da pilosidade facial.

Quem legitima os ditadores de tendências? Alguém os escolhe ou nomeia consoante determinados interesses como na política ou serão eles verdadeiros académicos catedráticos cuja opinião sobre a matéria é irrefutável? Não sabemos. Sabemos apenas que têm o poder singular de impor o hábito visual mais estranho ou de tornar obsoletas aquelas calças que nós achávamos o máximo. E porquê? Porque eles assim o decidiram.

Vem isto a propósito da minha mais recente descoberta no mundo instável das tendências: ser hipster acabou de passar de moda. Agora o que está na moda é ser yuccie. Os senhores no topo da montanha reuniram, e depois de longa reflexão sobre a problemática, decidiram que ser hipster já estava muito batido e na hora de ser substituído por um novo modelo. Claro que,  para os aficionados, tal alteração socioeconómica irá implicar uma remodelação profunda a nível do roupeiro, novos cortes de cabelo, novos estilos de barba e mesmo a eventual utilização de óculos sem graduação que o tempo em que os óculos eram para míopes já lá vai. Mas a vontade do conselho é soberana. Obedeçamos.

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João Mendes

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"Nada no mundo é mais perigoso que a ignorância sincera e a estupidez consciente. "

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