A manhã roça no dorso. Finjo dormir, a ver o que sucede…
Tivesse eu a elegância do manequim montra, ficaria para sempre naquela posição, até vir o caruncho comer-me de baixo para cima. A mão polvo – eterna serva da baga, dançarina gestual – é quase um poema incendiado, como a pauta do maestro em loucura maior, pela harpa de pernas aberta. Ainda ontem coloquei lençóis lavados e engomados. São agora farrapos mordidos inventando melodias ninfas, a alcançarem o nenúfar.
Ficaria aqui – eu, verme viscoso – a reluzir em hemorroide pirilampo, na minha mais profunda e íntima resina mel ácido, até ficar um bálsamo cosmético ou cómico ou o caralho. Mas tenho de encher os cofres de uns lampaneiros.
Bom dia.

 

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Véronique S.

Tem os braços onde deveria ter as orelhas. Tem o coração onde deveria ter os olhos. Já as entranhas, costuma adormecer a mexer nelas. Qual criança que brinca com os cabelos até o sono à visitar.

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Será que a nossa ideia de inteligência foi deturpada pelo ego?

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