Quero ainda beijar tua boca provisória
como me contasses histórias de tempos
futuros, de sais, de rendas e saltos altos.
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Busco ainda possuir-te pela metade
desde que por inteiro
reflectir-te como narcisista espelho
mostrar-te tua carne rija salivar-te a seco.

Vou por teu nome na boca do sapo
e costurá-la e depois beijá-lo
até fazer-se princípio em desencanto.

Queria gritar nos teus ouvidos
até ecoar teu sexo
em vibratória inércia apaixonada.
Mas como qualquer elefante
escondes-te nas frestas do assoalho
fazendo-me molhar as cuecas.

Espermática longitude-latitude menstrual
de oceanos licores e íntimos mares.

foto: pauloramosartistadesenhistapoetafotografo

foto: pauloramosartistadesenhistapoetafotografo

Quis beijar-te a boca eterna molhada
como me ouvisses histórias de um passado
que não tive, de lugares que não vi ou estive.

Queria ter um filho teu
e que não nos conhecêssemos
não ter te parido…

O sangue contra a cama
a cama sob o hímen e o hímen
sobre o eu, o me e o mim.

O amor e o fim nasceram um para o outro.

O encaixe é perfeito,
dor e flor são gémeas siamesas
seja no afecto ou na força,
venham por sexo ou pavor
(concavas e convexas)
encaixam-se perfeitamente desiguais.

Vou querer beijar tua boca morta
quando fores um feixe de rugas
e pés de galinha
como quando me contavas histórias
de cabelos brancos
sem dentes, esquecendo os detalhes,
emudecendo.

foto: pauloramosartistadesenhistapoetafotografo

foto: pauloramosartistadesenhistapoetafotografo

Quando me contares as histórias que te contei.

 

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PAR

Sou muitos por cento H2O o que quer dizer que fervo a 100 e congelo a zero... tenho muito para dizer mas só digo quando quero.

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