Nascida em 1984 e baptizada com o nome de Manuela Rocha, natural da Praia da Barra – Aveiro, Manu De La Roche é um dos nomes mais apelativos do Burlesco e do Fetiche Performático em Portugal.
Com formação superior em Teatro, a performer passou por vários caminhos artísticos, nomeadamente o Teatro, o Cinema, a Performance e leccionou Expressão Dramática no primeiro ciclo do ensino básico. É em 2011, no desfile de moda da loja Ás de Espadas, que se profissionaliza na arte do ‘teasing’ – O Burlesco.

The Flapper Act (C) João Azevedo Photography

The Flapper Act – 
pic by João Azevedo Photography

Os seus espectáculos têm um cariz provocatório, de sátira social e religiosa, de estilo ‘risqué’. Toda a estética artística dos seus acts passa pelo glamour dos anos 30, 40, 50 de Hollywood e pelo estilo Bondage e Fetichista.

Num país em que a palete de cores é muito acinzentada, Manu De La Roche é como um arco-íris que surge no horizonte. A Irreversível foi à procura de saber um pouco mais:

Mistress Act (C) João Azevedo Photography

Mistress Act – pic by
João Azevedo Photography

– Onde começa a Manu De La Roche e onde acaba a Manuela Rocha?
-A Manu De La Roche e a Manuela Rocha acabam por ser a mesma pessoa, a única diferença é que uma expõe-se mais do que a outra. Não criei nenhum alter ego, apenas quando comecei a trabalhar como artista a solo queria exprimir as minhas ideias e mensagens e encontrei o Burlesco e a Fetish Performance para o fazer. O nome artístico foi criado com base no meu nome de baptismo.

– Como defines o Burlesco e a Fetish Performance em Portugal?
– O Burlesco em Portugal está a desenvolver-se bastante, desde a altura em que comecei, em 2011. Ainda está muito inserido no meio underground , mas aos poucos está a ser conhecido no meio mais comercial. A existência, por exemplo, do Underground Burlesque Festival, o festival de Burlesco de Lisboa, ajuda a divulgar as artistas do meio e toda a indústria do Burlesco no nosso país. A Fetish Performance ainda está pouco conhecida, não existem muitos artistas nessa área. O feedback do público tem sido muito bom, pois está habituado a que a cena fetichista só exista numa comunidade própria e muito específica, e ver um show fetiche num bar, numa discoteca ou até mesmo numa sala de espectáculos, acaba por abrir mais os horizontes em como o fetiche pode ser uma arte performática, com uma estética muito própria, como é o caso do cinema, do teatro, por exemplo.

– Quais as maiores dificuldades que vais tendo para divulgar e concretizar o teu trabalho?
– Neste momento não tenho tido muitas dificuldades nesse sentido.
As redes sociais têm sido as ferramentas que tenho usado para a divulgação do meu trabalho, e sem dúvida, tem sido uma grande ajuda.
Em todos os espaços do país em que tenho actuado têm sido grandes apoiantes do Burlesco e da Fetish Performance. Nesse sentido sinto-me agradecida.

Egyptian Act (C) André Pires - New Vintage Photo

Egyptian Act – pic by
André Pires – New Vintage Photo

– Fica-se com a ideia que a larga maioria dos espectáculos de burlesco são “no feminino” para assistências maioritariamente masculinas. Pensas que isso diminui a visão universal de corpo e cabeça das mulheres em geral?
– Eu acho precisamente o contrário, 90% do público que assiste aos shows de Burlesco são do sexo feminino.
O sexo masculino gosta de ver, de assistir, mas são as mulheres que são as mais interessadas, pois o erotismo, a sensualidade e o uso de fatos extravagantes e glamorosos é o que mais lhes chama a atenção.
A celebração da mulher acaba por ser enfatizada nos shows de Burlesco, e isso acaba por se notar nos workshops que costumo fazer. Existe uma grande curiosidade e interesse por parte das mulheres.

– O que esperas profissionalmente no futuro imediato? E a médio prazo?
– Normalmente não penso muito no futuro, vivo mais o presente.
Espero sinceramente continuar no meio artístico, a continuar a fazer Burlesco e Fetish Performance, e quem sabe, abrir um Cabaret em Lisboa.
Sinto que ainda tenho muito que percorrer e muito que criar, vou vivendo um dia de cada vez e a desfrutar a vida de Burlesca.

– Sentes então que a área do Burlesco e Fetish Performance estão, ou podem, crescer significativamente em Portugal, mesmo que dentro do underground, ou sentes que vai continuar a ser algo apenas para uma minoria?
– Acredito muito que ambas as artes performativas vão crescer mais, em Portugal. Eu, pelo menos, luto por isso, mostrando o meu trabalho por todo o país; e as minhas colegas da área também.
O público em geral está a conhecer cada vez mais e a ter muita curiosidade e vai ver os espectáculos. É uma questão de tempo.

– Que mensagem gostavas de passar a quem não conheça a tua arte performativa?
– Ambas as artes performativas têm a sua estética própria, em que o ‘teasing’, o humor e o glamour andam de mãos dadas.
Apesar de serem artes com uma componente visual e erótica muito forte, existe sempre uma mensagem, uma história em cada Act/Número.

– O que é para ti “Irreversível”?
– Depende do contexto em que se aplica este adjectivo. Costumo dizer que só a morte não tem remédio. De resto tudo tem uma solução e tudo pode ser ‘versível’ (Risos). És o/a dono/a do teu destino, e acreditar nos nossos sonhos, de forma a concretizá-los, independentemente dos obstáculos que aparecerem.

foto de capa:  Metamorphosis Act: Birth, Life and Death (Butterfly Act) – Alexandre Paixão

 


WORKSHOP BURLESCO
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Francisco Barros

- Realizador e locutor radiofónico nos 90´s com "Rockodromo" & Outros
- Proprietário da extinta "Crash-Discos".
- Vocalista em "Model".
- Passador de música e performer em "Robotic Sessions".
- Musico experimental & Ocasional
- Colaborador e Ex-colaborador em diversas publicações nacionais e locais.

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