O que dizer sobre a decisão que o “nosso” Presidente da República tomou?

Irónico como dizem sempre por aí que quem não vota não pode opinar ou reclamar, quando alguém que também não o fez (por questões de imparcialidade supostamente), acaba por ser o único a ter o poder de unilateralmente (ou quiçá até forçado por trás das cortinas) legitimar o governo que lhe apetece.

Diz ele que não quer “enviar falsos sinais às instituições financeiras, investidores e mercados” após um cumprimento “honroso” do programa financeiro que nos foi imposto e que tantos “sacrifícios pediu aos portugueses”.

Agora pergunto eu, e quem votou?? Onde fica a suposta democracia nesta equação?

Cada vez que ele usa essa palavra pinta um belo quadro e o cidadão comum fica pasmado a olhar para a sua beleza… Não passa disso. São meras palavras.

Então mesmo após o PCP e o BE terem feito cedências como por exemplo em relação à sua posição face ao Euro e NATO,  visando facilitarem uma coligação à Esquerda, este Senhor justifica-se dizendo que legitimar um governo à Esquerda é perigoso, tendo em conta os tratados financeiros com a UE e não estarmos numa fase em que podemos “arriscar” uma instabilidade política! Ele acha mesmo que vai conseguir isso com um governo minoritário?!?!

As afirmações dele fariam mais sentido se estivesse deitado num consultório do seu psiquiátra (coitado desse indivíduo) a desabafar sobre os seus dilemas pessoais…

As eleições tornaram-se num evento meramente formal, e depois da festa do clube vencedor é tentar voltar para o “Business as Usual”.

A verdade é numa união monetária que cada vez mais parece ter-se livrado da “coleira” democrática, ser-se de Esquerda é cada vez mais difícil. Temos o exemplo da Grécia, onde um governo de “extrema”-esquerda tomou posse e foi práticamente posto de joelhos por ter posto em causa a sua permanência na Zona Euro.

Já por cá a Esquerda nem com maioria absoluta de 50,7% consegue subir ao poder e mesmo para ter alguma hipótese de se coligar tiveram que deixar para trás reivindicações que talvez até foram decisivas para quem nesses partidos votou.

Hum, talvez isto de uniões monetárias não seja assim tão fixe afinal. É que pelo menos antes do Euro a responsabilidade pelas nossas dividas eramos nós, mas agora, para além dessa responsabilidade ainda vêm de fora dizer como essas dívidas terão que ser pagas e quem é que deverá pagá-las (não finjam que não sabem quem é que paga).

P.S.: E o povo pah?!

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Cidadã do Mundo

Com a cabeça nas nuvens interessa-se por tudo e por nada, diz mais do que o que pensa e pensa menos do que o que diz.

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E continua a não se passar nada de novo, tudo ok portanto.

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Daqui a pouco já não sei o que meter à boca.