oderOder é um DJ e produtor nacional ligado ao universo do drum n’ bass que editou recentemente um EP pela Formation Records, para a qual obteve as melhores críticas internacionais.
Oder conta com vários temas editados na prestigiada editora Dim Mak Records de Steve Aoki, músicas nas conceituadas compilações britânicas “Drum & Bass Arena“, dois títulos nacionais como “Melhor Produtor / DJ Nacional de Drum & Bass” e até um tema incluído na playlist de um dos ícones do hip-hop mundial – Jay Z.
Tem ainda vários temas originais e remixes que têm sido tocados por alguns dos maiores nomes do actual cenário musical como Steve Aoki, Pendulum, Rusko, Zane Lowe da BBC Radio 1, Ed Rush, Drumsound & Bassline Smith, entre outros.
Era Irreversível uma pequena conversa:

– Quando é que percebeste que querias fazer da música um foco na tua vida?
– A partir do secundário, altura que comecei a “passar uns discos”, pensei logo em trabalhar com música mesmo estando a estudar fotografia e design. Logo após terminar os estudos, em 2003, viajei para Inglaterra onde tive contacto directo com a cultura musical que hoje em dia ainda trabalho.. Aproveitei também para comprar os meus primeiros gira discos, os clássicos Technics 1210, o resto foi trabalho e dedicação com um pouco de sorte á mistura!

– Quais foram as tuas primeiras influências musicais?
– Sempre gostei de ouvir muita música e diferentes géneros, talvez porque os meus pais ouviam bom Rock, Bossanova, Blues e lembro-me bem de alguns discos e cassetes de Prince, Beatles, Peter Tosh ou B52’s a rolar na aparelhagem lá de casa. No entanto, com o passar dos anos os meus gostos musicais foram evoluindo e mudando. Na adolescência artistas como Method Man, A Tribe Called Quest, Busta Rhymes, The Prodigy, Rage Against The Machine, Massive Attack, Asian Dub Foundation, DJ Zinc, Aphrodite, Roni Size entre muitos outros faziam parte da dieta diária.

unnamed-1– E actualmente o que consomes musicalmente?
– Hoje em dia quando não estou a produzir Drum & Bass ou a trabalhar no meu programa de rádio, o SLANG, que me faz encontrar alguns dos melhores sons que representam este género, gosto de ouvir um bom Funk dos Breakestra, The Meters ou James Brown, Reggae/Dancehall/Dub do Popcaan, Ward 21 ou King Tubby e claro Hip Hop old school entre outras coisas interessantes que vão aparecendo. Dentro da minha área e no que toca ao Drum & Bass actual deixo aqui alguns nomes que, na minha opinião, arrasam a criar musica inovadora e original: Tantrum Desire, Document One, Metrik, Drumsound & Bassline Smith, Culture Shock, Sub Focus, entre muitos outros.

– Atari Teenage Riot, Steve Aoki, Jay Z, BBC Radio 1, como é que tudo isto aconteceu?
– Os links que tive com Jay Z e Atari Teenage Riot foram feitos através do Steve Aoki e da editora dele, a Dim Mak Records, onde lancei 5 remixes e um tema original. O primeiro contacto que tive por incrível que possa parecer foi depois de ter posto no YouTube o meu remix não oficial do tema “Warp” de Steve Aoki & Bloody Beetroots o que o levou a entrar em contacto comigo para tornar este remix oficial. Foi também o primeiro de muitos remixes a serem lançados na Dim Mak Records. Várias outras produções foram tocadas na BBC Radio 1 por Zane Lowe ou Crissy Criss na altura que lancei músicas com a Drum & Bass Arena que é considerada por muitos umas das melhores compilações de Drum & Bass com lançamentos contínuos nos últimos 20 anos.

– O teu trabalho divide-se entre as cabines de DJ e a produção, onde é que a adrenalina te corre mais nas veias?
– Sem dúvida que o batimento cardíaco e a pulsação estão mais presentes nas actuações ao vivo. Estar à frente de dezenas, centenas ou às vezes milhares de pessoas e a passar este estilo de som faz com que seja praticamente impossível não sentir nenhuma adrenalina! Mas quando se está a produzir no estúdio também acontece, quando encontras “aquele som”, “aquela vibe” que estavas à procura, o equilíbrio perfeito entre os elementos da música que estás a criar.

– O que podemos esperar no futuro? Fazes planos ou “just go with the flow”?
A maioria das vezes é o espirito “go with the flow” principalmente no estúdio a criar música! Mas para editar material tem que se planear e pensar para a frente, por exemplo, os próximos 2 lançamentos já estão concluidos e prontos para serem editados em inícios de 2017 na Formation Records, editora britânica lendária no cenário Drum & Bass que lançou artistas como Nero, Shy Fx ou até Carl Cox!

– Algum conselho ou dica que queiras deixar a quem está agora a começar nestas lides (seja djing ou produção)?
Aconselho a terem um PC porque existem mais plugins “crackados”… desculpem estou a brincar…  Aconselho a verem tutoriais no YouTube sobre o estilo que querem produzir, ler livros e estudarem pelo menos os básicos de composição, de como usar um equalizador, compressor e por aí fora. Para aqueles que querem começar como DJ, hoje em dia é bem mais simples do que era na altura que comecei onde só existiam discos de vinil e cdj’s com poucas funções e sem qualquer tipo de “sync”, que trouxe o facilitismo, e acabou com a mística sobre a “arte da mistura”, antes disso era preciso ter ouvido e feeling. Agora pode se fazer download de qualquer musica em segundos e usar um computador, um controlador ou um cdj para fazer misturas, mas no fundo o que interessa é ser criativo, inovar e trazer algo de diferente!

– O que é Irreversível?
– A primeira frase que me veio á cabeça foi “no turning back”, não há como voltar atrás, portanto tenta fazer o melhor que podes para deixar a tua marca.


Ouve mais @ MixCloud Dj Oder

 

Comentários



Francisco Barros

- Realizador e locutor radiofónico nos 90´s com "Rockodromo" & Outros
- Proprietário da extinta "Crash-Discos".
- Vocalista em "Model".
- Passador de música e performer em "Robotic Sessions".
- Musico experimental & Ocasional
- Colaborador e Ex-colaborador em diversas publicações nacionais e locais.

Publicação Anterior

Universais - Chemical Brothers @ Compostela | Crónica

Proxima Publicação

Super Nova: Noites Super Bock com Maus Hábitos