Diogo Valente é um Ilustrador/Designer gráfico/Dj/Promotor de 25 anos que deixou as terras lusitanas em busca de futuro que não encontrava: “Sai de Portugal apenas porque não encontrava trabalho ou um salário justo, mas também porque queria ter a experiência de viver noutro pais, de praticar um novo idioma, conhecer uma nova cultura…”.

foto: yshiu.tumblr.com

foto: yshiu.tumblr.com

Passou primeiro por Barcelona e vive actualmente em Londres, cidade que procurou pela multiculturalidade e pelas oportunidades de trabalho: “após cerca de um mês de procura só de trabalho na minha área desisti da ideia… e tinha que arranjar alguma coisa para pagar contas e sobreviver (…) trabalhei numa pastelaria francesa, depois tive uns 5 meses numa loja de brinquedos em Picadilly Circus que é uma floresta por dentro e tem animais mecânicos…”. Mas não desistiu e mesmo tendo o defeito de “não ter sempre um bloco e lápis na mão” teve a oportunidade que procurava: “em dezembro tive a oportunidade de começar a trabalhar como designer gráfico freelancer (…) não estou exactamente a trabalhar naquilo que quero mas está próximo!” Encontram várias vezes Diogo Valente de skate na mão “em busca de novas manobras e mesmo como forma de me deslocar e de me divertir (…) um dos maiores prazeres que tenho!”. O skate foi também “projecto final de mestrado… queríamos fazer alguma coisa que nos desse pica e não algo que obedecesse aos parâmetros tradicionais chatos de um mestrado…” e é assim que surge a DEKA (juntamente com o amigo Diogo Soares), projecto de desenho de pranchas de skate – “O skate enquanto estimulo para a criação artística” – mas também como “agente da integração de toda a cultura envolvente”, e há já exemplos disso como evento Dekalhões promovido no âmbito do festival Milhões de Festa de 2013, que envolveu a participação de bandas, djs e muito skate.

Castro Soup by laulau

Castro Soup by olaulau

O alter-ego ilustrador olaulau é outra fonte de trabalho desenvolvido por Diogo Valente, onde a criatividade e originalidade são o mote para a criação, “tenho tentado desenvolver e criar sempre alguma coisa nova… mesmo que não tenha um tema ou motivo definido!”

Actualmente o multifacetado criador está dividido entre todos estes projectos e sobra pouco tempo para passar música, algo que já fez com regularidade na cidade do Porto em bares como o Pherrugem e V5, em Barcelona, e já em Londres: ” Estou numa altura que estou parado..nem tenho procurado muito sítios para passar som… estou numa altura em que procuro ouvir montes de cenas… culturizar o ouvido! (…) percebo-me de dia para dia, pelos artistas que vou ouvindo, que sei cada vez menos de música….então procuro combater isso e tentar descobrir e ouvir cenas novas todos os dias!”

O que concluímos é que Portugal, mesmo com net “actualmente considero que a internet é uma ferramenta poderosa e que me permite ir buscar influencia a qualquer lado através de um click…”, era pequenino demais, dizemos nós, com oportunidades a menos, para um jovem valor de 25 anos que teve de partir para encontrar estabilidade para desenvolver os seus projectos. Escolhemos o Diogo Valente para nossa 1ª entrevista por tudo aquilo que representa e exemplifica. Valor, qualidade, diversidade e capacidade, que de certa forma vai sendo reconhecido longe de onde é natural, longe de onde tentou e não conseguiu. Portugal do século XXI é o mesmo que Almeida Garret nos descreve em “Viagens na minha terra”.

Diogo Valente, a quem agradecemos toda a disponibilidade, foi entrevistado por APLS e Miguel Sousa.

 

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Miguel Sousa

Responsável pela agenda Irreversível.

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