Para além do verão tipicamente tripeiro, que já de si é aquela cena alucinante, entre o clima subsariano e o fog londrino, segue-se um manancial de algumas trips matinais… ele é o condutor que quis e conseguiu derrubar todos os sinais e um poste de iluminação, fazer um triplo mortal encarpado e ainda rebentar com o carrinho todo, tudo isto no curto espaço de 50 metros, um verdadeiro artista. A senhora a deixar-se passear pelo canino e a debitar no telemóvel mensagens ou à procura de objectos virtuais, enquanto o bicho caga na via pública para depois os transeuntes levarem para casa uma recordação mal cheirosa, a estranja a subir a colina de Júlio Dinis de bicicleta (já vi presuntos na “Badalhoca” bem mais pequenos que as pernas dela!), com a facilidade do Froome a escalar o Alpe d´Huez, o corredor matinal a fazer obstáculos por entre o trânsito e a tentar não ser atropelado pelo autocarro da STCP, no café ouvem-se as palavras sempre sábias, trocadas entre duas pessoas da 3ª idade: “Ah o tempo passa.” –“ E com ele passamos nós também”, até eu com este rol de acontecimentos também me passo, tudo isto antes das 8 horas da manhã!

Um verdadeiro choque, eu que pensava que a “vida” só começava lá por volta do meio-dia, depois de 2 cafés devidamente intervalados e 1 cigarro. Quero ver esta fugacidade toda no inverno, excluindo a 3ª idade, esses, faça sol ou faça chuva, manterão o seu trivial dia-a-dia de movimentações orais, não dessas pá! Digo eu.

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Miguel Pedro Carvalhais

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