Hoje o manicómio passou a saliva espumante pelo lábio inferior, enquanto a cápsula copulava com a assissi machine. Bufando-se à janela um desenho perturbante e intimista entre o dentro e o fora.
Dei um beijo de língua no sopro e disse:

foto: Clarita @ morguefile.com

foto: Clarita @ morguefile.com

“Olá. O que fazes aqui? Nestes dias com cheiro a couro e café e onde há sempre um casaco para morar? É um dia de Natal mais rebelde que fugiu do futuro para me visitar? É? Então vem cá e desembrulha-te para mim. Em sangue e suor. Sem lágrimas para não desidratar. Isso.”

Cozinho os olhos com diamantes e galo-te a narrativa silenciosa do teu respirar no orifício pomba. E o vício de te farejar e ordenar que entres por mim adentro. São horas. E há horas do caralho.
A visita acabou. Ficou o desenho magenta dobrado na folha, desdobrado em borboleta e insanidade maior.
Cigarro.

Comentários



Véronique S.

Tem os braços onde deveria ter as orelhas. Tem o coração onde deveria ter os olhos. Já as entranhas, costuma adormecer a mexer nelas. Qual criança que brinca com os cabelos até o sono à visitar.

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